BC prevê aumento de 9,5% para energia em 2014

Dado foi apresentando no Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na manhã desta quinta-feira

Por Da Redação - 27 mar 2014, 16h47

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, afirmou nesta quinta-feira, durante apresentação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que existem muitas incertezas em relação à evolução do preço da energia.

No documento, a autoridade monetária previu um aumento de 9,5% nessas tarifas em 2014 e afirmou que a incerteza sobre esse custo é fonte de pressões inflacionárias “relevantes”. “As incertezas sobre o preço da energia fazem parte do processo. O exercício de projeção de um item específico é ainda mais difícil de fazer do que a projeção de uma cesta de 500 itens, que é o IPCA completo”, afirmou.

O setor elétrico tem causado fortes dores de cabeças para empresários e para o governo. A falta de chuvas e o aumento do consumo têm pressionado custo de produção de energia. Além disso, soma-se a esse fator os prejuízos acumulados pelas empresas devido à renovação antecipada das concessões, feita em 2012 para garantir o desconto médio de 20% na conta de energia. No início do mês, o governo anunciou um socorro de 12 bilhões de reais para o setor – serão liberados 4 bilhões de reais dos cofres públicos e 8 bilhões de reais por meio de bancos públicos e privados, em forma de empréstimos às distribuidoras.

Em fevereiro, o consumo de energia elétrica cresceu 8,6% na comparação com igual período de 2013, passando de 40,251 mil GWh para 41,403 mil GWh. No acumulado do bimestre, o consumo ultrapassou 81 mil GWh, com avanço de 6,8% ante igual período do ano anterior. Os dados foram divulgados nesta quinta pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

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O consumo residencial avançou 13,3% em fevereiro ante igual mês de 2013. Já o consumo do setor de comércio e serviços expandiu 16,6%, e o consumo industrial, apenas 1,4% ante fevereiro de 2013.

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Inflação – Hamilton defendeu também que a política monetária pode alcançar, mesmo que com efeito retardado, os preços administrados. “Na medida em que a política monetária é eficaz e, na minha opinião, continua sendo, mais adiante vai ser possível alcançar, sim, os preços administrados”, disse. Quando questionado, se recusou a informar qual a projeção do Banco Central para os preços dos combustíveis. Ele afirmou que a instituição trabalha com os reajustes ocorridos até fevereiro para o preço da gasolina, de 0,6%.

O diretor do BC reafirmou que a autoridade monetária está considerando uma trajetória declinante para a inflação ao longo do horizonte relevante. Ele citou as projeções do documento divulgado nesta quinta que mostram uma inflação para o próximo ano inferior à estimada para este, e uma projeção para o primeiro trimestre de 2016 menor que a do último trimestre de 2015.

Juros – Questionado sobre o recuo no ritmo de elevação da taxa Selic, de 50 pontos até janeiro para 25 pontos em fevereiro, Hamilton disse que as razões para a mudança são as que constam na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). “Uma delas eu posso repetir – lembrando que não é a única. É que os efeitos dos ajustes na taxa Selic são cumulativos. Além disso, essa redução foi em linha com a comunicação do BC. Na reunião de dezembro foi sinalizado que poderia haver mudança de passo mais adiante, que não veio em janeiro, mas veio em fevereiro”, completou.

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(com Estadão Conteúdo)

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