Clique e assine a partir de 9,90/mês

BC defende sua atuação em política para combater inflação

Mesmo com o IPCA próximo ao teto da meta oficial, o presidente e o diretor de Política Econômica do BC afirmam que instituição tem atuado de forma "robusta, clássica e técnica"

Por Da Redação - 16 Apr 2014, 16h59

Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social nesta quarta-feira, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, defendeu que a autoridade monetária tem atuado de forma “robusta, clássica e técnica”. Repetindo o que já tinha falado na semana passada, ele disse que parte relevante da alta dos juros ainda não atingiu os preços. Ele rebateu críticas sobre a possibilidade de ter havido perda de eficácia da política monetária, visto que após o BC elevar a taxa básica de juros em 3,75 pontos porcentuais, para 11% ao ano, as expectativas de inflação continuam deterioradas.

“O Banco Central vem trabalhando para que o choque (de preços) se circunscreva aos alimentos. Veremos a inflação mensal recuando”, disse Tombini em apresentação sobre perspectivas da economia brasileira em 2014, que contou a presença da presidente Dilma Rousseff, ministros e empresários. “A política (monetária) opera com defasagens e efeitos cumulativos, e parte relevante da política monetária não tocou a inflação”, completou.

Logo depois, em São Paulo, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, reformou logo depois o discurso de Tombini, dizendo que a política monetária no Brasil tem operado de maneira adequada e que a reposta da economia a ela “não é menos eficiente” do que em outros ciclos de aperto. “As informações disponíveis sugerem que os impulsos monetários têm se propagado por intermédio dos principais canais de transmissão, e que assim continuarão nos próximos trimestres”, afirmou. “A política monetária tem sido efetiva em conter as pressões inflacionárias”, acrescentou.

Leia mais:

Continua após a publicidade

Previsão do mercado para a inflação sobe para 6,47% em 2014

Reajustes de energia podem elevar inflação em até 0,12 ponto em abril

A inflação alta e resistente é um dos principais problemas que o governo enfrenta neste momento, afetando a popularidade da presidente Dilma e impondo-se como um dos principais temas de debate deste ano eleitoral.

Em 12 meses até março, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 6,15%, próximo do teto da meta do governo, de 6,5%. Para combater a escalada dos preços, o BC deu início a um ciclo de alta dos juros em abril passado, retirando a Selic da mínima histórica de 7,25% e elevando-a para 11% atualmente. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC sinalizou que pode encerrar o ciclo de aperto em maio.

Continua após a publicidade

O presidente do BC também disse que o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos, apontado como um dos fatores de vulnerabilidade do Brasil, deve se estabilizar.

Tombini voltou a dizer que a recuperação da economia norte-americana é a boa notícia para o Brasil, mas afirmou que a recuperação global se dá de forma gradual, não heterogênea e com riscos. Ele repetiu ainda que a volatilidade vista nos mercados recentemente, por conta do ajuste das condições monetárias no mundo, não pode ser confundida com vulnerabilidade.

(com agência Reuters)

Publicidade