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BC: Avanços no combate à inflação ainda não são suficientes

Comitê de Política Monetária prevê que a inflação continuará alta em 2015 e só deve voltar ao centro da meta no fim de 2016

Por Da Redação 7 Maio 2015, 10h29

Após aumentar a taxa básica de juros de 12,25% para 13,25% na semana passada, o Banco Central sinalizou que o aperto monetário deve continuar e que pode até aumentar de grau nos próximos meses. Em ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira, o colegiado afirmou que os resultados obtidos com as medidas adotadas para conter a inflação ainda não surtiram o efeito desejado. Também citou mais de uma vez no texto que permanece “vigilante” para conter as pressões inflacionárias.

“Os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo – ainda não se mostram suficientes. Nesse contexto, o Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante”, informa o documento.

No texto, a diretoria do BC admite que a inflação continuará alta neste ano, mas prevê que ela será colocada no centro da meta, de 4,5%, no fim de 2016. Na ata anterior, os diretores diziam que conseguiriam fazer isso “ao longo do próximo ano”. O mercado prevê um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (PCA) de 8,26% ao ano, segundo o último boletim Focus. “O comitê considera ainda que, desde sua última reunião, entre outros fatores, esses ajustes de preços relativos na economia tornaram o balanço de riscos para a inflação desfavorável para este ano. A propósito, o Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% no final de 2016 tem se fortalecido”, diz a ata.

Para os dirigentes, a alta da inflação é resultado de dois fatores: a desvalorização do real ante o dólar e o aumento nas contas de água e luz. O colegiado também ajustou para cima a projeção de alta dos preços administrados em 2015 para 11,8%, ante 10,7% na ata divulgada anteriormente. Segundo o comitê, o reajuste foi calculado levando em conta o aumento no preço da gasolina e do gás. “Esses ajustes de preços fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015”.

Mercado de trabalho – Pela primeira vez, o Banco Central reconheceu ver indícios de um desaquecimento no mercado de trabalho, levando em conta números do setor. “Dados disponíveis indicam início de um processo de distensão no mercado de trabalho”, avaliou o comitê. O BC também frisou que a inflação pode aumentar caso haja aumento da renumeração dos trabalhadores no país. “Ainda prevalece risco significativo relacionado, particularmente, à possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade, com repercussões negativas sobre a inflação”, constatou a ata.

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(Da redação)

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