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BC anuncia medida para conter a queda do dólar

Órgão aumenta compulsório para limitar venda de dólares por bancos. Medida visa reduzir apostas de instituições financeiras na queda da moeda americana

Por Da Redação 6 jan 2011, 08h15

O Banco Central (BC) anunciou nesta quinta-feira uma medida para tentar frear a queda do dólar no país. A autoridade monetária determinou que os bancos recolham ao BC, sob a forma de depósito compulsório, 60% sobre o valor da posição de câmbio vendida que exceder o menor dos seguintes valores: 3 bilhões de dólares ou o patrimônio de referência (PR). Esse depósito compulsório será recolhido em espécie e não será remunerado.

O objetivo da ação é melhorar o funcionamento do mercado de câmbio à vista e reduzir as posições vendidas do sistema, que em dezembro de 2010 alcançavam um valor de 16,8 bilhões de dólares.

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As instituições financeiras terão 90 dias para se adequar à nova regra. No jargão do mercado financeiro, “estar vendido” sinaliza realização de negócios que exigem a entrega futura de dólar ou pagamento da variação cambial. Na prática, isso representa a aposta dos bancos de que o real vai se valorizar. Estar “comprado”, por consequência, sinaliza a expectativa de depreciação da moeda brasileira.

Basicamente, o BC passa a dificultar operações por meio das quais instituições apliquem no Brasil dólares que tomaram emprestados no exterior. A aposta dos bancos na valorização do real ante o dólar é classificada pelos analistas do mercado como um dos fatores que têm contribuído para a queda da moeda americana.

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A nota do BC, divulgada nesta manhã, informa que a diretoria da instituição decidiu adotar essa medida de caráter prudencial. Segundo a autoridade monetária, a medida aperfeiçoa os instrumentos de regulação existentes e contribui para manter a estabilidade do sistema financeiro nacional.

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Na última terça-feira, o dólar chegou ao menor patamar em dois anos: a moeda americana fechou o dia cotada em 1,649 real. A valorização do real desfavorece as exportações e ameaça o desempenho da indústria do país.

Análise – O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Aldo Mendes, explicou em coletiva, nesta quinta-feira, que não é bom para a economia quando o sistema se desloca para um polo ou para o outro polo (comprado ou vendido em dólar). Isso porque, segundo ele, o mercado futuro sempre traz um risco e incerteza em relação à taxa de câmbio. Por isso, não é saudável, afirmou ele, que haja uma concentração em uma das pontas. Mendes ainda salientou que, quando um mercado está em posição vendida (em dólar), ao ocorrer uma valorização do câmbio, ele tem que correr para comprar a moeda para cobrir essa posição e que o “ideal” é que o sistema financeiro trabalhe com uma posição cambial mais próxima do equilíbrio, ao invés de se concentrar em um polo específico

(com Agência Estado)

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