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Bancos mudam estratégia e apostam no dólar forte

Instituições financeiras já têm 1,29 bilhão de dólares na chamada posição "comprada" – que aposta na valorização da moeda americana ante o real

Por Da Redação - 6 out 2011, 12h00

Os bancos mudaram de estratégia no câmbio. Após 17 meses de aposta no fortalecimento do real, a crise inverteu o norte dos negócios e passou a prevalecer o entendimento de que agora a moeda americana é que vai ganhar força em relação à brasileira. Diante da expectativa de as cotações seguirem em alta, as instituições financeiras já têm 1,29 bilhão de dólares na chamada posição “comprada” e terão lucro se o dólar subir. O mesmo aconteceu no mercado futuro, o que explica a disparada do preço da moeda nas últimas semanas.

Apesar dessa reversão, a entrada de dólares no Brasil continuou em setembro. Dados divulgados pelo Banco Central revelam que 8,48 bilhões de dólares ingressaram no mês passado pela mão dos exportadores, o que compensou a saída vista em operações como a remessa de lucros por multinacionais. Mesmo com a entrada desse dinheiro, o preço da moeda subiu porque a procura pela moeda é maior que a oferta, especialmente no mercado futuro.

Entre os economistas, a piora do cenário externo explica a inflexão nos números. No mês passado, ganhou força a hipótese de que a Grécia caminha para um calote da dívida. A leitura gerou nos investidores aumento da aversão ao risco e uma forte migração para aplicações financeiras nos Estados Unidos. Embora também sofra com a crise, a maior economia do mundo é considerada o mais confiável “porto seguro” do mercado.

Para migrar, investidores tiveram de se desfazer de aplicações em países como o Brasil. No mercado nacional, além da venda de ações e títulos de renda fixa, também foram desfeitas as apostas no mercado futuro de que o real teria fôlego para continuar forte. “Tivemos uma completa reversão de estratégia dos estrangeiros, especialmente no mercado futuro o que naturalmente gerou pressão sobre o preço da moeda”, diz o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos.

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Durante essa migração maciça e, ao mesmo tempo, sem ninguém querendo apostar no real, o BC precisou intervir em 21 de setembro com operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro. Desde então, realizou três novas operações desse tipo.

A disparada do dólar em setembro beneficiou os exportadores. Além de tornar produtos brasileiros mais competitivos no exterior, o câmbio elevado tem incentivado empresas a trazer ao Brasil dólares obtidos com exportações e que estavam em contas no exterior à espera de uma cotação melhor. Levantamentos não oficiais da equipe econômica diziam que, em meados de setembro, exportadores teriam entre 20 bilhões de dólares e 90 bilhões de dólares em contas no exterior.

(com Agência Estado)

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