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Bancos gregos permanecerão fechados até sexta-feira

Decreto emitido pelo governo grego estendeu o feriado bancário iniciado no dia 29 de junho; Tsipras enfrenta rebelião do seu partido e protestos no dia da votação do pacote de austeridade

Por Da Redação 15 jul 2015, 13h42

O governo grego decidiu manter o feriado bancário até a próxima sexta-feira, conforme novo decreto emitido pelo Ministério das Finanças nesta quarta. Desde o dia 29 de junho, os bancos estão fechados e o limite de saques está restrito a 60 euros por dia. A medida visa impedir que o sistema bancário do país, que não conta recursos suficientes para manter a liquidez, entre em colapso. Na perspectiva de agravamento da crise, o governo teme que os gregos corram aos bancos para esvaziar suas contas.

Mesmo após chegar a um acordo histórico com os credores na última segunda, a crise na Grécia está longe de ser resolvida e já começa a sair do campo da economia para o da política. O primeiro-ministro, Alexis Tsipras, enfrenta hoje uma pesada rebelião dos membros do seu partido, o esquerdista Syriza, que são contrários às medidas de austeridade exigidas pelos países da zona do euro em troca da ajuda financeira.

Um documento assinado por 109 dos 201 membros da cúpula do partido condena a postura de Tsipras à frente das negociações e chama o acordo que ele fechou com os credores de “golpe de Estado”. “O acordo foi resultado de ameaças diretas de estrangulamento econômico e constitui um novo memorando com perspectiva excessivamente pesada e humilhante, um desastre para o nosso país e a nossa gente”, diz o texto.

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Em reunião parlamentar do Syriza, Tsipras pediu aos deputados para manterem a unidade do partido neste momento “histórico, difícil e crítico”, segundo afirmaram fontes do governo. Em seu discurso, o premiê afirmou que todas as possibilidades de negociação foram esgotadas e pediu aos que não concordavam que propusessem uma alternativa mais eficaz.

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O parlamento grego deve votar na noite desta quarta-feira parte do plano, que inclui reformas no sistema previdenciário, aumento de tributos e privatizações. Com o racha no seu próprio partido, que tem a maior bancada do parlamento, Tsipras vai precisar contar com os votos de parlamentares da oposição, sobretudo dos partidos pró-Europa, para obter a aprovação do pacote.

Nesta quarta, a vice-ministra de Finanças Nadia Valavani, o secretário-geral de Seguridade Social, Yorgos Romanias, e o secretário-geral de Economia, Manos Manusakis, renunciaram ao cargo, argumentando que não poderiam apoiar as condições vinculadas ao novo resgate.

Além de enfrentar resistência no parlamento, o premiê se tornou alvo de protestos. Uma greve convocada pelo sindicato Adedy – a primeira desde a posse de Tsipras, em janeiro – paralisa parte do setor público do país nesta quarta-feira. A circulação de trens foram interrompidas e os hospitais só estão realizando atendimentos de emergência. Além disso, centenas de pessoas estão reunidas no centro de Atenas para protestar contra o acordo.

Novo empréstimo – Nesta quarta-feira, a Comissão Europeia propôs aos 28 países membros da União Europeia a concessão imediata à Grécia de um empréstimo de 7 bilhões de euros para resolver a crise financeira do país pelo menos no mês de julho. O montante viria de um fundo do bloco que já foi usado para socorrer países como Portugal e Irlanda. “O programa proporciona financiamento ponte que permitirá à Grécia enfrentar suas obrigações financeiras mais urgentes até que comece a receber assistência financeira do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE)”, informou a comissão.

O vice-presidente da CE, Valdis Dombrovskis, afirmou que o país precisa desse dinheiro “para preservar a integridade da zona do euro, a estabilidade financeira e evitar qualquer falta de pagamento em suas obrigações”. No dia 20 de julho, a Grécia terá que pagar uma dívida de 3,5 bilhões de euros para o Banco Central Europeu, além de já estar devendo cerca de 2 bilhões de euros para o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Mesmo com acordo, bancos gregos continuarão fechados

(Da redação)

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