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Bancos geram temor e bolsas na Europa recuam

Por Da Redação 5 jan 2012, 14h56

Por Gabriel Bueno

Londres – Os principais índices das bolsas europeias fecharam em queda nesta quinta-feira. Novos temores sobre a saúde dos bancos do continente provocaram fortes recuos nas ações, com Itália e Espanha entre os países mais afetados.

O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,89%, ou 2,23 pontos, para fechar em 247,39 pontos. Os bancos tiveram recuos particularmente fortes e o índice Stoxx 600 Banks caiu 3,2%, para 130,09 pontos.

Foram vários os fatores que contribuíram para as quedas, que começaram ontem após o italiano UniCredit oferecer ações com desconto de 43%. As ações do UniCredit recuaram 17% hoje, após perderem quase 15% na sessão anterior. O índice FTSE MIB, da Bolsa de Milão, caiu 3,65%, para 14.767,22 pontos, puxado pela baixa do UniCredit. Outros bancos italianos também recuaram, com Intesa Sanpaolo perdendo 7,3% e Banco Popolare, 10%.

“O apetite para comprar ações de bancos na área periférica segue muito baixo”, disse Steen Jakobsen, economista-chefe do Saxo Bank. “A posição do mercado não é a de comprar risco. O único comprador de risco é o Banco Central Europeu (BCE)”, notou ele. Segundo Jakobsen, o sistema está travado em termos de transmissão de crédito, no momento em que tanto bancos europeus como governos precisam levantar capital.

As preocupações também aumentaram em relação aos bancos espanhóis após o ministro da Economia da Espanha afirmar ao Financial Times que eles terão de reservar mais até 50 bilhões de euros, ou 4% do Produto Interno Bruto (PIB) espanhol, em provisões extras por causa de ativos imobiliários podres.

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Na Espanha, o índice Ibex 35, da Bolsa de Madri, caiu 2,94%, para 8.329,60 pontos, com Banco Santander recuando 4,5% e BBVA perdendo 5%. Já o PSI 20, da Bolsa de Lisboa, fechou em queda de 1,56%, em 5.505,65 pontos.

Os bancos franceses e alemães também estiveram pressionados, com Société Générale e BNP Paribas recuando 5,4% cada, em Paris, e o Deutsche Bank caindo 5,6% em Frankfurt. As perdas para o SocGen pesaram sobre o índice CAC 40, que caiu 1,53%, para 3.144,91 pontos, na Bolsa de Paris.

Os investidores digeriram os resultados de um leilão de bônus da dívida do governo da França em que os yields (retorno ao investidor) subiram para os papéis de 10 anos, mas com uma demanda respeitável dos investidores. Os leilões de bônus são acompanhados de perto, enquanto os mercados avaliam a capacidade dos países da zona do euro, incluindo França, Espanha e Itália, conseguirem se financiar. As preocupações permanecem também sobre a capacidade da França de manter seu rating de crédito AAA.

Em Frankfurt, o DAX 30 teve perdas relativamente modestas, em comparação com outros mercados europeus, recuando 0,25%, para 6.095,99 pontos, após um dado mostrar uma queda nas vendas no varejo alemão em novembro. O Deutsche Bank foi o maior perdedor no DAX, seguido por Commerzbank (-4,5%). As ações do HeidelbergCement recuaram 2,8%, após o Credit Suisse reduzir os papéis de “outperform” para “underperform”.

Em Londres, as ações da CRH cederam 3,4%, após a companhia de materiais de construção ser rebaixada de “neutral” para “underperform” pelo Credit Suisse. O banco também reduziu seu rating para o setor de materiais de construção em geral, de “overweight” para “marketweight”, dizendo que a valorização nesse setor está alta demais sem justificativas para isso. A CRH foi uma das maiores perdedoras do índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, que fechou em queda de 0,78%, para 5.624,26 pontos.

No lado positivo, as ações da Petrofac subiram 1,9%, após a companhia de serviços em campos de petróleo anunciar um acordo de cooperação com a Schlumberger. Outra ganhadora foi Eurasian Natural Resources, que subiu 4,6% após anunciar um acordo com a First Quantum Minerals para resolver disputas em relação a suas operações no Congo.

Em outros mercados, as ações da Nokia ganharam 7,1% em Helsinque, após Credit Suisse elevar as ações da companhia de “underperform” para “outperform”. Segundo o banco, o foco da companhia de telecomunicações no Windows permitirá que ela se recupere em 2012. Além disso, o jornal finlandês Helsingin Sanomat informou que o comitê da Nokia propôs Risto Siilasmaa como novo chairman. Um porta-voz da empresa não quis comentar a reportagem. As informações são da Dow Jones.

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