Bancos devem correr contra o tempo para comprovar qualidade de dados ao BC até dezembro
Nova regra da autoridade monetária exige auditoria em 12 dimensões de integridade das informações e responsabiliza diretamente conselhos de administração
Os bancos têm até 31 de dezembro de 2026 para se adequar à Resolução Conjunta nº 18/2025, do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional (CMN). Em vigor desde janeiro, a norma estabelece requisitos específicos para a qualidade das informações prestadas ao regulador e atribui responsabilidades à alta administração das instituições.
A resolução determina que os bancos tenham uma Política de Qualidade das Informações Prestadas e consigam demonstrar a integridade dos dados enviados ao Banco Central. Entre as exigências estão 12 dimensões de qualidade, como acurácia, rastreabilidade, tempestividade, consistência e comparabilidade. A medida também prevê a identificação de responsáveis e o acompanhamento de eventuais falhas e planos de correção.
Na prática, as instituições financeiras precisam avaliar o nível de maturidade de seus processos, identificar lacunas e estabelecer um plano de adequação. Isso inclui estruturas de governança, definição de responsabilidades, regras para os dados e mecanismos que permitam verificar como as informações foram produzidas e enviadas ao regulador.
Um dos pontos envolve a capacidade de rastrear e reconstruir os dados utilizados em um determinado report. “Será preciso ter realmente a possibilidade de explicar como aquele arquivo foi gerado e por quê”, afirma Fábio Mariano, diretor de tecnologia da ATRA, companhia especializada em inteligência e governança de dados, em entrevista a Veja Negócios.
Além disso, a resolução estabelece atribuições para diferentes níveis da administração. O conselho de administração deve aprovar e revisar a política de qualidade das informações, enquanto a diretoria precisa assegurar o atendimento às dimensões previstas na norma. Para isso, as instituições devem indicar formalmente um diretor responsável pelo tema.
Para os bancos que ainda não possuem uma estrutura consolidada, Mariano recomenda começar por um diagnóstico dos processos existentes. “Começamos com o assessment, isto é, com a avaliação. Então, buscamos entender qual é a maturidade que aquele cliente já tem na tratativa com dados em si”, diz, em relação ao trabalho da ATRA.
A partir desse levantamento, a orientação é estabelecer um plano de adequação de acordo com as lacunas encontradas. Entre as medidas citadas pelo executivo estão a criação de um programa de governança de dados, de um comitê para acompanhar o tema e de um dicionário de dados com regras de negócio que permitam manter a consistência das informações reportadas ao regulador.





