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Banco Rural foi o caixa que ajudou a irrigar o mensalão

A instituição atuou diretamente na simulação de empréstimos bancários no valor de 32 milhões de reais e permitiu que se misturassem com dinheiro desviado de contratos de publicidade para, assim, não ser descoberto pelas autoridades reguladoras

Por Laryssa Borges 2 ago 2013, 20h10

O Banco Rural, liquidado nesta sexta-feira pelo Banco Central, foi o elo financeiro utilizado pela quadrilha chefiada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para irrigar o escândalo do mensalão. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, responsável pela acusação contra os mensaleiros, a instituição financeira atuou diretamente na simulação de empréstimos bancários no valor de 32 milhões de reais, permitiu que se misturassem recursos desses empréstimos com dinheiro desviado de contratos de publicidade, ocultou dos órgãos de controle evidências claras de lavagem de dinheiro e viabilizou a distribuição segura de propina, sem identificar os reais beneficiários do mensalão.

As provas de participação do Rural no esquema criminoso são fartas. Uma das acusações dá conta de que o empresário Marcos Valério, operador do mensalão e condenado a mais de 40 anos de prisão, intermediou um empréstimo na instituição em benefício da ex-mulher de José Dirceu. Em outro episódio, a banqueira Kátia Rabello e o ex-ministro José Dirceu negociaram a participação do banco no esquema criminoso em troca de benefícios envolvendo a liquidação extrajudicial do Banco Mercantil de Pernambuco.

No julgamento do mensalão, a dona do Rural, Kátia Rabello, e seu braço direito, José Roberto Salgado, foram condenados a 16 anos e oito meses de prisão pelos crimes de evasão de divisas, gestão fraudulenta, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Vinícius Samarane, também da cúpula do banco, recebeu pena de oito anos, nove meses e dez dias de reclusão pelos crimes de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. Todos recorrem em liberdade.

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