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Banco Mundial aloca US$ 4 bi para estabilizar preços de alimentos

Novo instrumento será administrado pela Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do setor privado do BM, e pelo JP Morgan

Por Da Redação - 21 jun 2011, 17h47

O Banco Mundial lançou nesta terça-feira um programa de 4 bilhões de dólares para proteger os agricultores da volatilidade dos preços dos alimentos. O projeto será apresentado na reunião de ministros de Agricultura do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes).

“Com esta nova ferramenta poderemos ajudar os produtores de alimentos a se protegerem das oscilações de preços, fortalecerem a posição de crédito e aumentarem seu acesso a financiamento”, afirmou o presidente do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick. O novo instrumento financeiro será administrado por meio da Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do setor privado do BM, e do J.P Morgan.

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Zoellick ressaltou que a “extraordinária volatilidade” dos preços dos alimentos é “a ameaça mais grave que encaram os países mais vulneráveis do mundo em desenvolvimento”. Por isso, o presidente do BM destacou a necessidade de aumentar a capacidade de produção de alimentos em 70% para atender a demanda e alimentar a população estimada em 2050 de 9 bilhões de habitantes. “As pessoas estão famintas de comida e de ação em nível global”, declarou Zoellick.

Pelos últimos dados, o crescimento anual de plantações de arroz e de trigo nos países em desenvolvimento, onde vive 80% da população mundial, caiu de 3% para 1% entre 1970 e os dias de hoje.

O presidente do Banco Mundial fez um chamado para aumentar a “transparência” no setor agrícola de modo a permitir “acesso público a informação sobre a qualidade e a quantidade dos estoques de grãos”. Desta maneira, afirmou Zoellick, seria enviado “um poderoso sinal” aos mercados que ajudaria a controlar a volatilidade e a “acalmar os ataques de pânico” que fomentam essas abruptas altas dos preços.

Ele se referiu também à ameaça da mudança climática diante do temor de redução das plantações de 16% no mundo todo de agora até 2050. Zoellick assinalou que, durante sua participação na reunião ministerial do G20, realizada em Paris nesta semana, tentará convencer os países presentes para que possa decretar “uma exceção de barreiras comerciais para os alimentos em caso de emergência humanitária”.

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Zoellick lembrou os números divulgados há alguns meses pelo Banco Mundial que assinalavam que, desde junho de 2010, a elevação e a volatilidade dos preços dos alimentos aumentaram em 44 milhões o número de pessoas que vivem abaixo do nível de pobreza no mundo (com menos de 1,25 dólar ao dia).

(com agência EFE)

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