Banco do Brasil (BBAS3) lucra R$ 7,3 bilhões no 1° semestre, queda de 34%
Banco registra alta da inadimplência e se distancia da estratégia de concessão de crédito apontada no início do ano
O Banco do Brasil (BBAS3) reportou lucro líquido ajustado de 7,3 bilhões de reais no primeiro semestre de 2026, queda de 34,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi divulgado em documento enviado ao mercado nesta quarta-feira, 12.
No segundo trimestre, porém, o lucro do Banco do Brasil chegou a 3,9 bilhões de reais, alta de 3,3% na comparação anual e de 13,9% em relação aos três primeiros meses do ano.
Segundo a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, o desempenho reflete uma execução estratégica consistente e o reforço dos vetores de geração de valor. “O resultado 13,9% maior sobre o trimestre anterior traz ainda a evolução da nossa margem financeira bruta, sustentada por um mix de crédito que tem uma melhor relação risco x retorno”, afirmou.
O lucro ficou dentro do esperado pelo consenso de analistas do BTG Pactual, que projetava resultado de 3,68 bilhões de reais no trimestre. Apesar de avanço na base trimestral, o balanço ainda mostra indicadores pressionados pela crise do agronegócio e pelo avanço da inadimplência entre pessoas físicas.
A margem financeira bruta somou 27,4 bilhões de reais no segundo trimestre, alta de 9,6% em um ano. No semestre, o avanço foi de 12,1%, impulsionado principalmente pelas receitas de crédito, que cresceram 15,3% nas operações com pessoas físicas, e pelas receitas de tesouraria, com alta de 16%.
A carteira de crédito alcançou 1,31 trilhão de reais ao fim de junho, avanço de 1,4% em 12 meses. O crescimento, porém, veio acompanhado de uma deterioração relevante da qualidade dos ativos.
A inadimplência da carteira consolidada chegou a 5,61% no segundo trimestre, alta de 1,65 ponto percentual em relação aos 3,96% registrados um ano antes. O avanço foi puxado principalmente pelas pessoas físicas, cuja inadimplência saltou 2,8 pontos percentuais, para 8,41%.
No agronegócio, o índice disparou 3,11 pontos percentuais, para 6,27%. A carteira de empresas foi a única a apresentar melhora, com queda de 0,67 ponto percentual na inadimplência, para 3,18%.
A deterioração do crédito também elevou as despesas com Provisões para Devedores Duvidosos (PDD). O indicador subiu 16,1% em um ano, para 18,4 bilhões de reais, ritmo muito superior ao crescimento de 1,4% da carteira de crédito.
Com a pressão das provisões e da inadimplência, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 8,3% ao fim de junho, queda de 0,1 ponto percentual em 12 meses. Na comparação trimestral, houve recuperação de 1 ponto percentual.
O indicador, no entanto, continua abaixo do custo de capital do banco, estimado atualmente em cerca de 14% ao ano. Na prática, o retorno gerado pelo BB sobre seu patrimônio ainda está bem abaixo do rendimento exigido pelos investidores para remunerar o capital empregado na instituição.
Crescimento das carteiras se distancia das projeções
No início de 2026, o Banco do Brasil estabeleceu uma estratégia para melhorar a composição de sua carteira de crédito. A instituição previa acelerar o crescimento de linhas de pessoa física consideradas mais seguras e poderia até reduzir a exposição ao agronegócio, segmento que vem pressionando os resultados.
Os números do primeiro semestre, porém, mostram uma trajetória diferente da projetada pela administração.
Na carteira de pessoas físicas, o banco previa crescimento anual entre 6% e 10%. Até junho, a expansão acumulada foi de apenas 4,4%, abaixo do intervalo projetado.
Para empresas, o guidance previa crescimento de 1% ou queda de até 3%. O realizado, porém, foi uma retração de 6,4% na carteira ao fim do primeiro semestre.
O contraste é ainda maior no agronegócio. A expectativa do banco era de crescimento de 2% ou queda de até 2%, mas a carteira avançou 4,1% no semestre — justamente no segmento que concentra parte importante da deterioração do crédito.
Em outras palavras, o Banco do Brasil apresentou uma melhora relevante no lucro na comparação trimestral, mas ainda não conseguiu afastar os principais pontos de preocupação do balanço. A inadimplência segue em alta, as provisões crescem em ritmo acelerado e o ROE permanece abaixo do custo de capital. Ao mesmo tempo, a composição da carteira está se afastando do que havia sido projetado pela própria administração no início do ano.
É esse descompasso que deve concentrar a atenção dos investidores na teleconferência de resultados. A capacidade do banco de conter a deterioração do crédito e, ao mesmo tempo, voltar a entregar crescimento nas carteiras de menor risco será um dos principais pontos de escrutínio do mercado.






