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Banco Central da Grécia admite que país pode sair do euro se não houver acordo com credores

Primeiro-ministro da Grécia afirmou nesta quarta que barrará exigências consideradas "catastróficas" e que busca um acordo "honrável" entre as duas partes

O Banco Central da Grécia emitiu um alerta nesta quarta-feira de que o eventual fracasso do governo em fechar um acordo com os credores internacionais pode mergulhar o país em uma “crise incontrolável”, cuja consequência máxima seria a saída do país da zona do euro. “O fracasso de se chegar a um acordo marcaria o começo de uma dolorosa trajetória que inicialmente levaria a uma moratória grega e, em última instância, à saída do país da zona do euro e – provavelmente – da União Europeia”, disse o BC no documento.

Em relatório anual, o BC grego apelou para que o governo e os credores superem as divergências, que, segundo a instituição, não são incontornáveis do ponto de vista fiscal. O banco também ressaltou que o conflito atual ganhou contornos políticos, com ambos os lados medindo forças e mostrando falta de disposição para ceder terreno. De acordo com o BC, faltam poucos detalhes para que os acordos sejam costurados.

Nos últimos dias, a Grécia endureceu a postura com os credores e disse que não pode aceitar exigências de implementar medidas mais duras de austeridade. Os credores, por sua vez, afirmam que as propostas de reformas apresentadas pelo Estado grego são insuficientes.

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, voltou a dizer nesta quarta-feira que não aceitará mais cortes de aposentadorias e afirmou que quer uma solução “honrável” para as discussões sobre um acordo de reformas em troca de ajuda financeira. O premiê afirmou que está pronto para aceitar os custos políticos de sua decisão e que barrará exigências consideradas “catastróficas” dos credores.

A Grécia está a caminho de deixar de pagar 1,6 bilhão de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no dia 30 de junho. O calote pode ser evitado caso os credores liberem um pacote de socorro externo no valor de 7,2 bilhões de euros. Para isso, no entanto, eles exigem que o governo implemente as medidas de austeridade.

Em discurso a aliados no Parlamento nesta terça-feira, Tsipras culpou os credores pela falta de consenso e afirmou que eles querem “humilhar” e “estrangular” a Grécia na negociação para desbloquear o montante. “É crucial encerrar esse ciclo vicioso e não ser forçado a um acordo que, dentro de seis meses, nos trará de volta ao mesmo ponto”, afirmou o primeiro-ministro.

Os mercados financeiros, por muito tempo não perturbados pelas disputas sobre a liberação de bilhões de euros em empréstimos à Grécia, reagiram com alarme crescente. Os mercados acionários europeus atingiram o menor patamar nesta terça desde fevereiro.

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(Da redação)