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Balanço não tem impacto imediato na nota de crédito da Petrobras, diz Fitch

Agência de classificação de risco considerou, no entanto, que a não inclusão de baixas contábeis põe em dúvida a capacidade de cumprir prazos na divulgação de dados

Por Da Redação - 29 jan 2015, 18h28

A decisão da Petrobras de adiar o registro de ‘baixas contábeis’ no balanço do terceiro trimestre não tem impacto imediato na nota de crédito da empresa da companhia, afirmou, em relatório, a agência de classificação de risco Fitch. No entanto, a situação prolonga as incertezas sobre a capacidade de a empresa cumprir com as normas de divulgação de dados. A Fitch classifica a Petrobras com rating BBB, com perspectiva estável.

Segundo a Fitch, a decisão também destaca as dificuldades de se calcular a magnitude dos pagamentos excessivos gerados por corrupção e o valor justo dos ativos fixos. “A potencial magnitude da baixa contábil nos ativos como resultado do escândalo pode ser significativa, mas não terá impacto no caixa ou na geração de fluxo de caixa da companhia”, afirmou a agência.

A Fitch observa que a política de pagamento de dividendo pode mudar assim que a baixa contábil for feita, mas prevê que isso não provocará uma redução significativa nos fluxos de saída de caixa, “pois a maior parte da geração de fluxo de caixa livre negativa da companhia resulta de seus grandes planos de investimento”.

“O escândalo de corrupção que envolve as práticas de contratos da Petrobras possui potencial para afetar negativamente sua qualidade de crédito ou seus ratings na medida em que afetar as operações e a liquidez da companhia ou se a companhia receber penalidades monetárias associadas ao escândalo”, avalia a Fitch.

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A agência destacou que incertezas significativas giram em torno das potenciais penalidades monetárias que a companhia pode sofrer como resultado do escândalo e citou uma ação de classe contra a Petrobras iniciada por investidores dos EUA. “A capacidade da Petrobras de resistir a penalidades monetárias significativas é limitada, tendo em vista a enfraquecida estrutura de capital da companhia”, observou a agência.

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Balanço – Na madrugada da quarta-feira, a Petrobras anunciou, em seu balanço não auditado do terceiro trimestre, um lucro líquido de 3,087 bilhões de reais, em queda de 38% ante o segundo trimestre do ano passado. Os números foram divulgados após uma reunião de onze horas do Conselho de Administração da estatal, que não chegou a um consenso sobre como separar no balanço as perdas provocadas pelos desvios apontados na Operação Lava Jato dos prejuízos com outros fatores, como projetos ineficientes e atrasos causados por chuvas.

Em teleconferência com analistas, nesta quarta-feira, o diretor financeiro Almir Barbassa, disse que a Petrobras poderá voltar a negociar novos prazos para divulgação do balanço anual de 2014 auditado com credores, o que pode acontecer o final deste semestre. “Vamos manter no nosso radar a continuidade ou ampliação da discussão, no sentido de ganharmos mais tempo, se necessário”, disse o executivo

Barbassa ainda admitiu que a empresa poderá não pagar dividendos aos acionistas, caso a companhia não tenha lucro em 2014. “Segundo ele, essa é uma possibilidade que “flutua no tempo”. “A possibilidade se liga ao estresse que a empresa pode ou não ter no futuro”, completou.

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(Com Estadão Conteúdo)

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