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Balança comercial tem pior resultado até agosto dos últimos 18 anos

No acumulado do ano, a balança registra déficit de 3,764 bilhões de dólares, ante superávit de 13,149 bilhões de dólares em igual período de 2012

Por Da Redação 2 set 2013, 15h46

A balança comercial brasileira registrou um déficit de 3,764 bilhões de dólares nos primeiros oito meses deste ano, ante superávit de 13,149 bilhões de dólares em igual período do ano passado. O resultado do ano até agosto é o pior para o período desde 1995, quando o acumulado dos primeiros oito meses foi um déficit de 4,127 bilhões de dólares.

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Segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações no acumulado do ano somam 156,655 bilhões de dólares e as importações, 160,419 bilhões de dólares.

Em agosto, a balança tem superávit de 1,226 bilhão de dólares, com exportações de 21,425 bilhões de dólares e importações de 20,199 bilhões de dólares. Apesar do dado positivo para o mês, esse foi o pior registrado para agosto desde 2002, quando houve superávit de 1,583 bilhão de dólares.

Combustíveis – No acumulado do ano, destacam-se as importações de combustíveis e lubrificantes, que subiram 21,7% em comparação aos oito primeiros meses de 2012. A alta é provocada pelo registro, em 2013, de compras de gasolina feita pela Petrobras em 2012 e também por maiores aquisições de combustíveis para o atendimento da crescente demanda interna. Na sequência, destacam-se as importações de bens de capital, que tiveram alta de 8,3%, de matérias-primas e intermediários, que aumentaram 8,7%, e bens de consumo, que subiram 5,5%.

O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Daniel Godinho, avaliou que o déficit da balança comercial brasileira é “conjuntural” e explicado pela conta petróleo, que tem saldo negativo de 16,368 bilhões dólares no acumulado do ano até agosto.

Apesar do cenário adverso, Godinho prevê melhora na conta petróleo até o fim de 2013. “Nós esperamos aumento da produção de petróleo, das exportações de petróleo e redução das importações de petróleo”, disse. “Com o aumento da produção, parte dela será refinada dentro do país, o que reduzirá importações”, explicou.

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Exportações – Do lado das exportações, entre janeiro e agosto, os produtos semimanufaturados foram os que mais tiveram queda, de 5,9%, para 19,796 bilhões de dólares, seguidos pelas vendas de produtos básicos, cuja queda foi de 1,0%, para 74,975 bilhões de dólares, e por manufaturados, com redução de 0,1%, para 58,238 bilhões de dólares.

De acordo com Godinho, o comportamento do câmbio (de alta do dólar em relação ao real) “é muito recente” e que ainda não foi verificado nos resultados de agosto. “Se o câmbio se mantiver no patamar atual, é possível que impacte a balança comercial. No curto prazo, a tendência é de redução nas importações, que se concentram em bens de consumo. No médio prazo, temos tendência de aumento de exportações, que varia de acordo com o setor, pois os setores respondem de forma muito diferente à questão cambial”, disse.

Segundo o secretário, se os efeitos esperados do câmbio na balança comercial se confirmarem, o Brasil terá um “pequeno superávit” este ano.

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O resultado ruim da balança comercial este ano é um dos principais fatores do elevado rombo nas contas externas do país. Em julho, no dado mais atualizado do Banco Central, a conta transações correntes do país registrou déficit de 9,018 bilhões de dólares, ampliando para 52,472 bilhões o saldo negativo em 2013.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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