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Baixos salários na Alemanha: a origem da crise na Eurozona (OIT)

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) criticou a política alemã de redução de salários, considerando-a como a “causa estrutural” da crise na zona do euro, segundo um relatório publicado nesta terça-feira.

“A redução dos salários melhorou a competitividade dos exportadores alemães, mas é cada vez mais identificada como a causa estrutural das recentes dificuldades da zona do euro”, diz a agência da ONU, em Genebra, que critica em particular as reformas realizadas em 2003 pelo governo de Gerhardt Schroeder.

Estas reformas, assim como o aumento da competitividade da economia alemã, são geralmente apresentados por Berlim como um exemplo a ser seguido pelos demais países.

O próprio presidente francês, Nicolas Sarkozy, elogiou várias vezes o modelo alemão nas últimas semanas. A OIT, no entanto, o considera como um freio ao crescimento europeu.

“As pressões dos últimos dez anos sobre o crescimento do mercado de trabalho alemão geraram consequências nefastas para a viabilidade de suas finanças públicas”, afirma a OIT, organismo cujo objetivo é promover condições dignas de trabalho no mundo todo.

“O mais grave é que os países em crise não podem utilizar a via das exportações para compensar a debilidade da demanda interna, já que sua indústria não pode ser beneficiada por uma demanda interna mais sólida como a da Alemanha”, diz a OIT.

A Alemanha, maior economia da zona do euro, baseia de fato seu crescimento nas exportações em detrimento do consumo interno, dizem economistas.

“Em um contexto de elevado desemprego, as reformas de Schroeder tiveram como efeito a redução da renda dos mais pobres, especialmente no setor de serviços, onde apareceram novos empregos de baixa remuneração”, diz a OIT. “Contudo, ao mesmo tempo, foi feito muito pouco para melhorar a competitividade através do aumento da produtividade”, completa.

“A política de redução salarial não afetou apenas o consumo, que foi um ponto percentual inferior à média da zona do euro no período de 1995 a 2001. Ela também conduziu a um aumento da desigualdade da renda em uma velocidade jamais vista, nem sequer durante o choque produzido após a reunificação”, denuncia a OCDE.

“A nível europeu, essa política criou um prolongado marasmo econômico, já que os demais países consideram cada vez mais que uma dura política de deflação salarial é a solução para a falta de competitividade”, diz o relatório.