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Baixa do juro é possível porque cortamos margem, diz CEF

Por Fernando Nakagawa

Brasília – O corte dos juros é possível porque a Caixa Econômica Federal decidiu reduzir suas margens de lucro nas operações de crédito. Mesmo assim, o ganho do banco projetado para o ano de 2012 será, pelo menos, igual ao registrado em 2011. A afirmação é do vice-presidente de pessoa física do banco, Fábio Lenza. “Toda nossa programação é para não diminuir o lucro”.

Em entrevista à Agência Estado, o executivo afirmou que toda a redução dos juros que vigora há quase duas semanas foi possível porque o banco público decidiu reduzir a fatia destinada ao lucro nos empréstimos e financiamentos. “Toda a redução foi em cima da margem líquida”, explica. “Em uma operação de crédito, temos os custos como da captação, inadimplência e impostos. O que sobra é o lucro e resolvemos repassar um pedaço desse ganho para os nossos clientes”.

Apesar de cortar o próprio ganho, a Caixa prevê que o lucro líquido de 2012 será, no mínimo, semelhante aos R$ 5,2 bilhões acumulado em 2011. “Não há redução do lucro. Toda a nossa programação, as curvas projetadas de crescimento e estudos indicam isso, mesmo com o corte de juros”, afirma o executivo.

Lenza explica que os ganhos permanecerão no patamar porque o banco irá emprestar com juros menores, mas para mais pessoas. Pelas estimativas da casa, serão adicionados 2 milhões de novos clientes durante o ano e, até dezembro, a Caixa quer terminar como terceiro maior banco no segmento de crédito. Hoje, está em quarto e o Bradesco ocupa a terceira posição.

Sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir novamente o juro básico da economia, Lenza disse que, por enquanto, a Caixa não prevê alteração das taxas para os clientes. Segundo ele, os juros são calculados no banco conforme o mercado de juros futuros e a redução dos juros anunciada na quarta-feira já era amplamente esperada.