Azzas 2154 será dividida em duas empresas após acordo entre sócios
Alexandre Birman ficará à frente da Arezzo&Co, enquanto Roberto Jatahy comandará a companhia que reunirá marcas como Animale, Reserva e Foxton
A Azzas 2154, maior grupo de moda do país, será dividida em duas companhias independentes após um acordo firmado nesta quarta-feira, 2, entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy. A reorganização desfaz, na prática, a união entre Arezzo&Co e Grupo Soma, concluída em 2024, e encerra a disputa entre os dois principais acionistas sobre os rumos do negócio.
Uma das empresas conservará o nome Arezzo&Co e ficará sob a liderança de Birman. Ela reunirá as marcas Arezzo, Schutz, Anacapri e Alexandre Birman, além de Hering, Carol Bassi e a operação da Vans no Brasil.
A segunda companhia, chamada de NewCo durante a reorganização e que deverá adotar o nome Soma, será comandada por Jatahy. O grupo ficará responsável por Animale, Reserva, Oficina, Foxton, NV, Maria Filó e Cris Barros.
Já a Farm Rio, uma das marcas mais valiosas da Azzas, não ficará dentro de nenhuma das duas empresas. A grife integrará uma estrutura societária própria, de capital fechado e com administração independente. Birman terá 57,4% da companhia, enquanto Jatahy ficará com os 42,6% restantes.
O banco Morgan Stanley continuará avaliando alternativas financeiras para a Farm, mas a Azzas afirmou que ainda não existe uma decisão de venda nem um acordo vinculante firmado com terceiros. Uma eventual negociação da marca precisará ser aprovada pelos dois acionistas.
Pelo plano, os atuais acionistas da Azzas receberão inicialmente ações das duas novas companhias na mesma proporção de suas participações no grupo. Em seguida, Birman e Jatahy farão uma troca de ações para definir a composição final do controle.
Após essa etapa, Birman terá 32,13% da Arezzo&Co e 6,18% da Soma. Jatahy, por sua vez, ficará com 25,95% da Soma e deixará de ter participação na Arezzo&Co. Os demais investidores continuarão com ações das duas empresas, sem alteração proporcional de suas fatias.
As duas companhias serão negociadas separadamente no Novo Mercado da B3, segmento da bolsa que reúne empresas submetidas a regras mais rígidas de governança. A conclusão da operação está prevista para o primeiro trimestre de 2027 e ainda depende de condições como a aprovação de credores, da B3 e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão responsável por analisar possíveis efeitos sobre a concorrência.
A separação ocorre pouco mais de dois anos depois da formação da Azzas 2154. A combinação entre Arezzo&Co e Grupo Soma foi apresentada ao mercado como a criação de uma gigante brasileira da moda, com marcas de calçados, roupas e acessórios. Divergências entre Birman e Jatahy sobre a gestão e a estratégia da companhia, porém, deram origem a processos judiciais e procedimentos de arbitragem — uma espécie de tribunal privado usado para resolver conflitos empresariais.
O acordo prevê o encerramento dessas disputas e o compromisso de não iniciar novos processos relacionados às divergências anteriores. Com a divisão, cada grupo passará a tomar decisões de forma independente sobre investimentos, abertura de lojas, expansão internacional e gestão das marcas.
A reação inicial do mercado foi positiva. As ações da Azzas chegaram a subir mais de 12% nesta quarta-feira, sinal de que os investidores enxergaram a separação como uma possibilidade de simplificar a administração do grupo e permitir que cada conjunto de marcas siga uma estratégia própria.







