Avanço em vacina para o câncer faz ação da Moderna saltar mais de 100% nos EUA e no Brasil
Papéis do laboratório também podem ser comprados de maneira indireta na bolsa brasileira, por meio das chamadas BDRs
As ações do laboratório norte-americana Moderna mais que dobraram na manhã desta quarta-feira, 19, depois da empresa anunciar que sua vacina para tratamento contra o melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele, feitos em parceira à gigante também americana Merck, mostraram altas taxas de sucesso em suas fases finais de teste.
Os pacientes submetidos aos testes demonstraram um tempo bem mais prolongado sem o retorno da doença e também menos chances de que ela se espalhasse para outros órgãos. Com os resultados positivos, os laboratórios chegam mais perto da possibilidade de encaminhar um pedido de comercialização do produto.
Por volta das 12h no horário de Brasília, as ações da Moderna subiam 120% na Nasdaq, a bolsa de tecnologia de Nova York.
Como comprar no Brasil
Os papéis da companhia também são negociados e podem ser comprados de maneira indireta na B3, a bolsa brasileira, por meio das chamadas BDRs, que são um tipo de papel que replica as ações de companhias listadas em bolsas de fora. Vendida sob o código M1RN34 no pregão brasileiro, as BDRs da Moderna subiam 100% no Brasil por volta do mesmo horário.
A Moderna, um laboratório ainda relativamente jovem e pequeno dentro da centenária indústria farmacêutica americana, ganhou projeção global quando se juntou ao grupo das primeiras multinacionais, como a Pfizer e a AstraZeneca, a trazerem a mercado uma vacina para a covid-19 em 2020 e 2021, durante a crise sanitária causada pela doença.
Também no início desta tarde, as ações da Merck, listadas na Nyse, a Bolsa de Nova York, subiam cerca de 10%. A diferença de magnitude nos ganhos, conforme explicou o portal de notícias financeiras CNBC, se dá justamente pelo tamanho das duas: enquanto a novata Moderna, fundada em 2010, tem um valor de mercado de 25 bilhões de dólares, o da Merck, que existe desde 1891, chega aos 333 bilhões de dólares.
A Merck também é negociada na B3 por meio de BDRs, com o código MRCK34. No pregão brasileiro, a alta era de da ordem de 9% nesta tarde.
Remissão prolongada
Os pacientes submetidos aos testes demonstraram um tempo bem mais prolongado sem o retorno da doença e também menos chances de que ela se espalhasse para outros órgãos. Com os resultados positivos, os laboratórios chegam mais perto da possibilidade de encaminhar um pedido de comercialização do produto, embora ainda faltem algumas etapas da última fase de testes.
As injeções da Moderna foram aplicadas, em caráter de teste, em 1.100 voluntários que estavam em tratamento para o melanoma em estágio avançado. Todos eles haviam sido submetidos a cirurgia para retirar as células cancerígenas. A vacina foi administrada em conjunto com as sessões de imunoterapia feitas com o Keytruda, o medicamento da Merck que já é aprovado e utilizado pelos hospitais.
Os resultados mostraram que os pacientes que receberam as doses combinadas da vacina e da imunoterapia demonstraram períodos bem mais prolongados sem o retorno da doença do que aqueles que receberam apenas o Keytruda.
Além disso, os participantes do estudo também alcançaram uma maior sobrevida livre de metástase à distância (SLMD), que é o tempo em que um paciente com câncer continua vivo sem que a doença se espalhe para órgãos distantes do corpo, como ossos, fígado ou pulmões, após o início do tratamento. As informações foram detalhadas em um relatório divulgado pelas duas companhias no início da manhã.
A vacina em desenvolvimento pela Moderna é feita à base de RNA, mesma tecnologia usada por ela nas vacinas para a covid. É também, de acordo com a empresa, a primeira do tipo a chegar à fase 3 de testes, que é último estágio em que a eficácia e a segurança do tratamento devem ser comprovados antes de poderem partir para o processo de comercialização. Para que as vendas sejam aprovadas e o produto comece chegar aos pacientes, é necessário ainda passar pela aprovação das agências sanitárias de cada país, caso da FDA, a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, ou a Anvisa, seu equivalente no Brasil.







