Avanço das fontes renováveis e IA abrem novas oportunidades para a WEG
WEG impulsiona resultados com investimentos bilionários em novas fábricas e expansão global para atender à crescente demanda energética
O ano de 2025 foi marcado por resultados importantes para a WEG Equipamentos Elétricos. A receita líquida alcançou 13,4 bilhões de reais. A companhia, sediada em Jaraguá do Sul (SC), também avançou no programa de investimentos mais ambicioso de seus 65 anos de existência. Só em Santa Catarina, o grupo do qual faz parte destinou 1,2 bilhão de reais para construir duas fábricas: uma de grandes equipamentos para geração e transmissão de energia, em Guaramirim, e outra de sistemas de armazenamento de energia em baterias, em Itajaí. Mais 2,2 bilhões de reais foram para dobrar a produção de transformadores, com a expansão de fábricas no Brasil e novas unidades na Colômbia e no México. Tais investimentos já começam a gerar retorno para a companhia. “Boa parte da nova capacidade de produção de transformadores já está vendida”, diz Alberto Kuba, presidente da WEG. A carteira de pedidos está preenchida pelos próximos dois anos.
A expansão reflete um momento favorável para a WEG, destacada como a campeã na categoria máquinas e equipamentos do ranking TOP30. Em todo o mundo, crescem os investimentos em redes de transmissão e de distribuição de energia. A disseminação de fontes renováveis, como a eólica e a solar, aumentou a complexidade de um sistema em que a eletricidade antes fluía das grandes hidrelétricas e termelétricas aos consumidores. Agora, a energia gerada por painéis solares em residências e em empresas também precisa ser incorporada à rede. “O sistema brasileiro foi construído de forma essencialmente hidrotérmica, com boa previsibilidade de geração, e agora precisa ser adaptado”, diz Clauber Leite, diretor técnico do Instituto E+, dedicado a estudos sobre transição energética. “Isso cria oportunidades para a indústria de máquinas e equipamentos.”
Ao mesmo tempo, novos atores ampliam a demanda por eletricidade. Entre eles estão os data centers, que concentram a capacidade de armazenamento e de processamento de dados usada por empresas de inteligência artificial, e a eletrificação da frota de automóveis.
Com 29% da receita oriunda dos Estados Unidos, as sobretaxas impostas pelo governo Trump às importações de praticamente todos os países representaram um desafio para a WEG. A solução foi rever o modo como o mercado americano é atendido, contando com a sua grande internacionalização — a companhia opera 66 fábricas em dezoito países. A WEG concentrou no México a produção destinada aos Estados Unidos, beneficiando-se do acordo de livre comércio entre os dois países. As fábricas brasileiras, por sua vez, assumiram as exportações para mercados como a América Central, antes supridos pela operação mexicana. “Ainda tivemos algum aumento de custo com as tarifas americanas, mas conseguimos absorver o impacto, graças ao contínuo aumento da nossa eficiência”, afirma Kuba. É a engenhosidade brasileira superando a muralha americana.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







