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Avanço da ‘prévia do PIB’ ainda não anima os economistas

Analistas acreditam que IBC-Br indica aceleração da economia no 1º tri. Mas são unânimes: isso não garante que o Brasil seguirá crescendo ao longo do ano

Por Talita Fernandes - 16 maio 2013, 11h52

Os avanços registrados pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em março, de 0,72% no mês e 1,05% no primeiro trimestre, foram recebidos com cautela por economistas consultados pelo site de VEJA. Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto do país, que será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 29, o indicador, ainda que em alta, não garante que a economia brasileira terá fôlego para seguir crescendo até o final deste ano – e atingir o porcentual de 3% esperado pelo mercado.

Para justificar a falta de otimismo, o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, lembra que o índice é composto pela combinação de dados do varejo e da indústria, que tiveram comportamentos divergentes no primeiro trimestre. Apesar de a indústria ter mostrado uma recuperação em março, a balança comercial e o varejo não registraram bons números no período. “É preciso ficar atento à queda das vendas nos supermercados. Isso mostra que o consumo das famílias não vai continuar crescendo para sustentar uma taxa de 3%.” Ao comentar a queda de 0,10% das vendas no varejo em março, Perfeito faz um alerta para o modelo de estímulo ao crescimento econômico adotado pelo governo, baseado no consumo das famílias: “Isso deixa claro que o dinamismo da demanda doméstica está menos robusto. Pode ser o fim de um ciclo puxado pela demanda das famílias.”

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O economista repete o que vem sendo dito por vários membros do mercado, que o crescimento também precisa ser sustentado com base em investimentos. “O governo está com dificuldades para estimular o empresariado”, completa Perfeito. “O indicador sugere que o crescimento pode ter sido mais robusto do que o do quarto trimestre de 2012, mas eu sugiro cuidado, porque o IBC-Br já enganou o mercado algumas vezes. Além disso, no primeiro trimestre tivemos um déficit comercial muito ruim”, lembra.

O tom de cautela também é reforçado pela economista do Santander Fernanda Consorte. “É dúbia a aceleração da economia. Devemos ver uma aceleração concentrada e não distribuída”. Sobre os dados do varejo, Fernanda diz que “os números de março, embora não tenham sido muito bons em varejo, mostraram melhora em relação a janeiro e fevereiro”. Os analistas do Santander esperam uma alta de 0,8% do PIB nos primeiros três meses de 2013 e de 2,8%, no ano.

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Com base em dados divulgados recentemente, Fernanda aposta em forte resultado do setor de agronegócios no PIB do primeiro trimestre e de queda nos dados de consumo. Sob a ótica da demanda, a economista prevê um crescimento na formação bruta de capital fixo (FBCF), ou seja, nos investimentos, com base em dados no aumento da produção de bens de capital. Para ela, o dado divulgado nesta quinta indica que haverá, sim, uma expansão da economia brasileira em relação ao último trimestre de 2012, contudo, ainda há dúvida sobre se isso será mantido.

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