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Ausências na Rio+20: mau sinal para a nova economia

Angela Merkel, Obama e David Cameron não estarão no Brasil. Cancelamento da participação do Parlamento Europeu prova que crise global prejudica debate sobre meio ambiente e enfraquece objetivos da conferência

Por Da Redação 9 Maio 2012, 16h36

No caso de Angela Merkel, a trajetória de ligação a temas ambientais seria um diferencial para a Rio+20. Em 2009, em Copenhague, Merkel se destacou por seu empenho para incluir a questão do clima na agenda internacional

Para o Itamaraty, o sucesso da Rio+20 depende mais do envolvimento dos países do que da presença de chefes de estado. Mas, descartado o otimismo oficial, é indiscutível que em alguns casos as ausências preocupam. Nesta quarta-feira, o Parlamento Europeu anunciou que não vai enviar representantes à conferência, devido aos altos preços para hospedagem no Rio. Das especulações sobre presenças e ausências de peso, a maior veio na última sexta-feira, na forma de um telefonema diretamente da chanceler alemã Ângela Merkel para a presidente Dilma Rousseff. A chamada de Berlim foi uma forma atenciosa de mudar os planos informados em uma conversa direta entre as duas, em fevereiro, na Alemanha. A ausência confirma uma suspeita dos organizadores: a de que a crise europeia deixa pouco espaço para a “nova economia” e questões ambientais.

Angela Merkel, agora, integra o grupo de ausências que serão sentidas na conferência. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em campanha pela reeleição, não deve comparecer. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também não estará no Rio. O Itamaraty tem a confirmação de mais de 80 chefes de Estado. Mas, mais preocupados com seus problemas internos, os mandatários de algumas das principais economias do mundo decidiram que a Rio+20 não estava no top da sua agenda.

No caso de Angela Merkel, a trajetória de ligação a temas ambientais seria um diferencial para a Rio+20. Em 2009, em Copenhague, Merkel se destacou por seu empenho para incluir a questão do clima na agenda internacional. Em abril, o embaixador da Alemanha no Brasil, Wilfried Grolig , já havia afirmado que a presença da chanceler era “incerta”.

A cúpula vai ter a presença, no entanto, dos chefes de Estado das maiores economias em desenvolvimento. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, já confirmou presença, assim como o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. Os chineses virão com a maior delegação, mais de 200 pessoas, entre membros do governo e empresários. A maior parte dos países sul-americanos também já confirmou presença. A previsão do Itamaraty é que mais de 150 países vão mandar pelo menos delegações em nível ministerial. “É lamentável porque se espera sempre o mais alto nível de presença dos países, mas isso não significa que não será uma reunião histórica. Temos certeza que será”, afirmou o porta-voz do Itamaraty, embaixador Tovar Nunes.

Para o planeta, mais do que para o Rio ou o Brasil, o recado é o seguinte: a crise econômica internacional diminui o entusiasmo pelas discussões sobre uma nova economia ou um novo modelo de desenvolvimento, apesar do ponto central da Rio+20 seja justamente tentar encontrar uma forma de levar a uma economia que traga também mais oportunidades.

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Economia – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na sexta-feira que convidou todos os ministros de economia do G-20 para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, de 20 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. Segundo ele, haverá um painel espec��fico de ministros da Economia para viabilizar financiamento para projetos ambientais.

“Sem os ministros da economia, que em geral são aqueles que viabilizam os projetos e que têm os recursos, as iniciativas ficavam mais fracas. E agora se fez este casamento entre a área econômica e a área ambiental. Então, diria que o grande avanço na Rio+20 é que nós teremos esta junção”, afirmou Mantega, após ter participado de reunião no Banco Mundial sobre a conferência, que contou também com a presença do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki Moon.

“Foi uma reunião de ministros de economia, meio ambiente e desenvolvimento. Portanto, é histórico que haja essa junção. Isso torna mais eficaz a luta pela defesa do meio ambiente”, explicou.

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