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Audiência sobre tarifaço dos EUA começa hoje; defesa do Brasil focará no Pix

O pré-candidato Flávio Bolsonaro está entre os depoentes da audiência publica

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jul 2026, 09h27 | Atualizado em 6 jul 2026, 12h00
Audiência sobre tarifaço dos EUA começa hoje; defesa do Brasil focará no Pix Priorizar nos meus resultados Google

A audiência pública sobre o tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros começa nesta segunda-feira, 6, e será concluída oficialmente na terça-feira, 7. A programação reúne representantes do setor produtivo, integrantes do governo Lula e parlamentares. Entre os participantes está o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que deve discursar no segundo dia do evento. Na defesa brasileira, o foco estará no Pix e na argumentação de que a tarifa acabaria elevando os custos para empresas e consumidores americanos.

A sessão tem início às 11h (horário de Brasília). A primeira a se manifestar será Andressa Silva, da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz). Ao longo do dia, também estão previstas as participações de Marcelo Schunn Junqueira, da Sociedade Rural Brasileira, Stefano Mozzi, da Bauducco Foods Inc., e do jornalista e empresário Paulo Figueiredo. Na terça-feira, a agenda inclui Flávio Bolsonaro, o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e embaixador Roberto Azevêdo, representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de outros representantes da indústria brasileira.

Na defesa apresentada aos Estados Unidos, o governo brasileiro concentra seus argumentos na investigação sobre o Pix. Em documento enviado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na última quarta-feira, 1º, o Brasil classifica a medida como um “remédio inapropriado”, solicita que Washington abandone as sanções unilaterais e rebate a alegação de que o sistema de pagamentos favoreceria empresas nacionais em detrimento de concorrentes americanos.

Segundo o Itamaraty, essa interpretação é equivocada. O documento afirma que o marco regulatório do Pix é neutro e se aplica igualmente a instituições financeiras nacionais e estrangeiras.

“Longe de excluir empresas estrangeiras, o Pix ampliou o mercado e criou novos pontos de entrada para provedores privados, incluindo empresas dos EUA como Google Pay e Visa”, afirma o texto.

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O governo brasileiro também contesta outro ponto central da investigação: a avaliação de que o Banco Central atua simultaneamente como regulador e operador do sistema de pagamentos, criando uma vantagem competitiva para o Pix.

Na resposta encaminhada ao USTR, o Brasil sustenta que o sistema foi concebido como uma infraestrutura pública de acesso aberto para ampliar a concorrência, reduzir custos e promover a inclusão financeira. O documento acrescenta que a participação é permitida a empresas que atendam aos requisitos regulatórios, independentemente da origem do capital, e destaca a atuação de companhias americanas no próprio ecossistema do Pix.

Outro argumento apresentado é que a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, utilizada pela gestão de Donald Trump para abrir a investigação, não autoriza a adoção de sanções apenas porque Washington discorda de decisões regulatórias tomadas por outro país.

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“O governo do Brasil solicita que o USTR se abstenha de impor medidas unilaterais como resultado desta investigação”, afirma o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no documento.

Além do Pix, a manifestação brasileira rebate críticas americanas relacionadas ao combate à corrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e às políticas ambientais.

O governo afirma que mantém um amplo regime de combate à corrupção, destaca compromissos internacionais assumidos pelo país e ressalta ações recentes de fiscalização contra o desmatamento ilegal. Também sustenta que a tarifa aplicada ao etanol está em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e não discrimina produtos americanos.

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O que dizem os Estados Unidos?

O governo americano, por sua vez, afirma que o Pix recebe tratamento preferencial e cria condições desiguais para empresas dos Estados Unidos. Segundo Washington, o Banco Central obriga instituições financeiras com mais de 500 mil contas a oferecerem o Pix e determina que a ferramenta seja exibida na tela principal dos aplicativos das instituições participantes, com destaque igual ou superior ao de qualquer outro serviço de pagamento ou transferência.

“O Banco Central incentiva o uso do Pix em detrimento de outros serviços, exigindo que as instituições participantes ofereçam o Pix gratuitamente a pessoas físicas e limitando as tarifas que podem ser cobradas de empresas pelas transações realizadas no sistema”, afirma o documento.

“Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial concedido ao Pix são injustos e discriminatórios”, sustenta o governo Trump.

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Outro ponto levantado pelos Estados Unidos é a venda de produtos piratas na Rua 25 de Março, em São Paulo, utilizada como um dos argumentos para justificar a imposição das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

No documento, o governo americano reconhece que as autoridades brasileiras reforçaram a fiscalização na região, mas afirma que ainda são necessárias punições mais rigorosas para quem fabrica ou comercializa mercadorias falsificadas.

“O Brasil intensificou as atividades de fiscalização realizadas na Rua 25 de Março. No entanto, ainda há espaço para penalidades mais severas para a falsificação, pois a falta de punições dissuasivas permite que essas práticas ilegais continuem com consequências insignificantes”, afirma o texto.

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Segundo Washington, o Brasil ainda não conseguiu implementar uma política de combate à pirataria de forma consistente e permanente. Para o governo americano, a falsificação continua disseminada, o que justificaria ações contínuas de fiscalização ao longo do ano.

“A falha do Brasil em aplicar efetivamente suas leis penais contra produtos falsificados — incluindo a falta de penalidades de nível dissuasor e o número insuficiente de agentes alfandegários destacados nos pontos de fronteira — prejudica os investimentos de empresas americanas”, diz o documento.

Os Estados Unidos também fazem críticas às políticas brasileiras relacionadas ao etanol, ao combate à corrupção, às tarifas de importação e ao desmatamento ilegal.

Para economistas ouvidos por VEJA, o novo tarifaço de 25% proposto pelo presidente dos Estados Unidos pode afetar cerca de 8,4 bilhões de reais em exportações brasileiras destinadas ao mercado americano.

De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, a medida atingiria aproximadamente 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Apesar da defesa que será apresentada durante as audiências, a possibilidade de um acordo ainda é considerada remota. A seguir, confira a programação completa dos dois dias de audiência pública.

PAINEL 1

  1. Andressa Silva, Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz)
  2. Mark Bitting, Gehring Montgomery, Inc.
  3. Vinicius Vanzella, SAGMA
  4. Marcelo Schunn Junqueira, Sociedade Rural Brasileira
  5. Mark Wilson, U.S. Grains & BioProducts Council
  6. Andrew LaVigne, American Seed Trade Association

PAINEL 2

  1. Paulo Wenceslau, FN USA Inc.
  2. Bill Bullard, Ranchers Cattlemen Action Legal Fund United Stockgrowers of America (R-CALF USA)
  3. Justin Tupper, United States Cattlemen’s Association
  4. Fernanda Carneiro, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
  5. Dan Haney, Alltech, Inc.

PAINEL 3

  1. Marcos Matos, Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé)
  2. José Luiz Pimenta Junior, Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics)
  3. William Murray, National Coffee Association
  4. João Marcelo Messas, Associação Brasileira dos Exportadores de Mel
  5. Joelma Lambertucci de Brito, Lambertucci Trade Solution
  6. Beth Hughes, American Apparel & Footwear Association

************ INTERVALO **********`

PAINEL 4

  1. Kristina Rosales, Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil)
  2. James Poole, Obelisk Tech Systems
  3. Anne McKinney, Câmara de Comércio dos Estados Unidos (U.S. Chamber of Commerce)
  4. Paulo Figueiredo
  5. Stefano Mozzi, Bauducco Foods Inc.
  6. Jody Bickett, Wholesome Sweeteners

PAINEL 5

  1. Arlen Penner, Prairie Imports LLC
  2. Andrew Sargeantson, Sunland Trading, Inc.
  3. Michael Carle, Sweet Harvest Foods
  4. Clint Hagen, American Sugarbeet Growers Association & U.S. Beet Sugar Association
  5. Mark Tasman, Peachtree Playthings, Inc.
  6. Marni Karlin, Stonyfield Organic

PAINEL 6

  1. Melinda St. Louis, Public Citizen
  2. Dan Anthony, We Pay the Tariffs
  3. Vinicius Nunes Pinto
  4. Gustavo Pessoa
  5. Ashley Amidon, International Wood Products Association

PAINEL 7

  1. Rodrigo A. de Ouro Preto Santos, Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI)
  2. Chris Bliley, Growth Energy
  3. Matthew Frostic, National Corn Growers Association
  4. Edward Hubbard, Renewable Fuels Association
  5. Andrea Almeida, União Nacional do Etanol de Milho (UNEM)
  6. Welber Barral, União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA)

Terça-feira, 7 de julho de 2026

PAINEL 8

  1. Flávio Bolsonaro, senador brasileiro
  2. Embaixador Roberto Azevêdo, Confederação Nacional da Indústria (CNI)
  3. Letícia Sperb Masselli, Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados)
  4. Matt Priest, Footwear Distributors & Retailers of America (FDRA)
  5. Peter Grueterich, JPT Group LLC / Bernardo Footwear

PAINEL 9

  1. Pete Ruggiero, Crayola LLC
  2. Jonathan Gold, National Retail Federation
  3. Lauren Gray, Dillard’s Inc.
  4. Embaixador Roberto Azevêdo, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
  5. Tim Tarpley, Energy Workforce & Technology Council

PAINEL 10

  1. Embaixador Roberto Azevêdo, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)
  2. Alais Coluchi, Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (Anfacer)
  3. Wilton José Machado, Brasil Minérios
  4. João Baroni, Engemasa Engenharia e Materiais Ltda.
  5. Atom Saverse, Isolatek International Corporation
  6. Timothy Brightbill, Coalition of American Millwork Producers

************ INTERVALO **********`

PAINEL 11

  1. Colby Slaughter, Rayonier Advanced Materials, Inc.
  2. Homero Busnello, Tecumseh do Brasil Ltda.
  3. Nils Kah, SHF Yachts LLC (operando como Schaefer Yachts)
  4. Bret Vorhees, Taurus Holdings Inc.
  5. Timothy Bauer, Amyris Inc.
  6. Mark Kaplan, Consolidated Mill Supply

PAINEL 12

  1. Tessa Capeloto, Century Aluminum
  2. Kyle Lundin, Mesabi Metallics
  3. Celso Figueiredo, Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer)
  4. Brandon Farris, Steel Manufacturers Association
  5. Fernando Staudt, Altus Sistemas de Automação S.A.
  6. Wagner Parente, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq)

PAINEL 13

  1. Peter Barry, WEG Electric Corp.
  2. Matthew Barron, Sylvamo
  3. Welber Oliveira Barral, Indústria Brasileira de Árvores (Ibá)
  4. Celso Figueiredo, Klabin S.A.
  5. Patrick Bloom, Cleveland-Cliffs Inc.
  6. Barry Schneider, Steel Dynamics Inc.

PAINEL 14

  1. Fabio Cruz, Centrorochas (Associação Brasileira de Rochas Naturais)
  2. James Hieb, Natural Stone Institute (NSI)
  3. Janelle Edmonds, Wisenbaker Builder Services Inc.
  4. James Durbin, Portobello America
  5. Gian Carlo Almeida Marodin, Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)
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