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ATUALIZA-UE endurece sanções ao Irã e cogita embargo ao petróleo

(texto atualizado com mais informações)

Por David Brunnstrom e Justyna Pawlak

BRUXELAS, 1o de dezembro (Reuters) – A União Europeia endureceu nesta quinta-feira suas sanções contra o Irã e apresentou planos para um possível embargo petrolífero, em resposta às crescentes preocupações com o programa nuclear iraniano.

Reunidos em Bruxelas, os ministros de Relações Exteriores dos 27 países do bloco decidiram que novas sanções nos setores financeiro, energético e de transportes devem ser discutidas entre seus técnicos até o seu próximo encontro, no final de janeiro.

As medidas podem levar a uma redução gradual nas importações europeias de petróleo iraniano, embora alguns governos da UE desejem, antes de aderir às sanções, garantias de que o impacto delas sobre as suas próprias economias será limitado.

“Estamos trabalhando nisso”, disse o chanceler francês, Alain Juppé, a jornalistas quando questionado sobre a possibilidade de um embargo petrolífero. “Temos de trabalhar com diferentes parceiros para que a interrupção do fornecimento (de petróleo) do Irã possa ser compensado por uma elevação na produção em outros países.”

Especialistas dizem que a cotação global do petróleo pode aumentar se a UE proibir a importação do produto iraniano, e isso poderia agravar a crise que a Europa atravessa.

A endividada Grécia, por exemplo, tem se aproveitado da oferta de petróleo iraniano sob condições financeiras vantajosas, num momento em que o país enfrenta dificuldades no mercado global de crédito.

“A Grécia manifestou algumas preocupações, precisamos levá-las em conta”, disse Juppé.

Separadamente à discussão sobre o petróleo, a UE incluiu mais 180 nomes à lista de pessoas e instituições iranianas sujeitas a proibição de viagens e congelamento de patrimônio, por causa do seu envolvimento com o programa nuclear do Irã.

Governos ocidentais acreditam que o Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares clandestinamente, algo que Teerã nega, insistindo no caráter pacífico das suas atividades.

William Hague, chanceler da Grã-Bretanha – país cuja embaixada em Teerã foi atacada por manifestantes na terça-feira – esteve entre os mais empenhados na defesa das novas sanções durante a reunião de Bruxelas, mas negou que isso seja uma retaliação pelo incidente.

Os ministros emitiram nota dizendo-se “ultrajados” pelo ataque à embaixada britânica. Os manifestantes depredaram parte do prédio num protesto contra sanções adotadas de forma unilateral pela Grã-Bretanha contra o Irã.

(Reportagem adicional de Ilona Wissenbach, Julien Toyer, Sebastian Moffett e Francesco Guarascio)