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ATUALIZA-Polícia de NY expulsa manifestantes de Wall Street

Por Da Redação 15 nov 2011, 18h36

(Texto atualizado com detalhes e número de presos)

Por Michelle Nichols

NOVA YORK, 15 de novembro (Reuters) – Policiais com capacetes e escudos expulsaram manifestantes do movimento Ocupe Wall Street nesta terça-feira, tirando-os de um parque no distrito financeiro de Nova York, onde estavam acampados desde setembro para protestar contra a desigualdade da economia.

Centenas de policiais desmantelaram o mar de barracas, móveis, colchões e placas de protesto no parque Zuccotti, prendendo 147 pessoas, inclusive 12 que se acorrentaram uns aos outros em árvores.

Enquanto os manifestantes confusos e irritados tentavam se reagrupar, equipes de saneamento trabalhavam para remover montanhas de lixo do parque privado, onde centenas de pessoas haviam acampado.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e a companhia imobiliária Brookfield Office Properties, que é dona do parque, concluíram que os manifestantes se tornaram uma ameaça à saúde da comunidade local.

Um cheiro de urina e excremento pairava em partes do parque, cujas flores foram pisoteadas. Autoridades e manifestantes disseram que houve relatos de assédio sexual, roubos e tráfico de drogas no local.

O movimento Ocupe Wall Street, que começou quando pessoas estabeleceram acampamento no parque Zuccotti em 17 de setembro, inspirou manifestações em outras cidades dos Estados Unidos e do mundo.

Em Londres, as autoridades disseram estar retomando a ação legal para expulsar manifestantes anticapitalismo acampados na catedral de St. Paul. Autoridades de Toronto também mandaram os manifestantes saírem.

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Nos EUA, a expulsão em Nova York foi seguida por ações similares em Atlanta, Portland e Salt Lake City. Ao contrário de Oakland, Califórnia, onde a polícia usou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, a polícia de Nova York disse que a maioria dos manifestantes saiu pacificamente.

MENSAGEM PERDIDA?

A remoção do acampamento no parque Zuccotti aconteceu antes dos planos dos manifestantes de tentar paralisar Wall Street na quinta-feira. A ideia era realizar um carnaval de rua no local que abriga a Bolsa de Valores de Nova York, para marcar o aniversário de dois meses da campanha.

Algumas centenas de pessoas se reagruparam depois da expulsão em uma praça das redondezas e continuaram a marchar nas ruas de Manhattan antes de parar para protestar em outro parque, onde uma série de manifestantes foram presos.

“A Praça da Liberdade (isto é, o parque Zuccotti) era uma metáfora e isso aqui é muito maior”, disse Kyle Depew, 26, garçonte do bairro de Brooklyn. “A semente foi plantada na mente de todos e é disso que se trata o movimento.”

Os manifestantes dizem-se desapontados pelo fato de os bilhões de dólares injetados nos bancos durante a recessão terem permitido que as companhias voltassem a ter lucros enormes e bônus multimilionários, enquanto os norte-americanos comuns não veem alívio no desemprego e melhora nas perspectivas.

Eles também acreditam que o 1 por cento de pessoas mais ricas do país não paga uma parcela justa em impostos.

“Eles têm uma mensagem e pessoas ao redor do mundo estão respondendo”, disse Mike Szumski, 54, que trabalha em um banco de Wall Street, cujo nome não quis revelar.

Os manifestantes disseram que a expulsão do parque não porá fim ao movimento.

(Reportagem adicional de Clare Baldwin, Chris Francescani e Basil Katz)

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