Atraso na entrega de projetos compromete oferta de energia no Brasil

Quase metade do volume de energia planejado para 2013 não entrou em operação na data prevista, de acordo com relatório da Abiape

Por Da Redação - 9 fev 2014, 11h06

Além da falta de chuvas, o planejamento da expansão do sistema também tem exigido atenção do setor elétrico brasileiro. Em 2013, 40% do volume de energia planejado não entrou em operação na data prevista, segundo dados da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape). Entre os projetos de transmissão, 71% das linhas licitadas têm atraso médio de treze meses e meio.

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O descumprimento dos prazos é outro aspecto que dificulta a operação e torna o sistema mais vulnerável. Segundo a Empresa de Planejamento Energético (EPE), para um crescimento da demanda de 5% ao ano, o país precisa acrescentar, em média, 6.000 novos megawatts (MW) ao sistema. Em 2012, a capacidade do Brasil aumentou 3.983 MW e, no ano passado, 5.556 MW, segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Na geração hidrelétrica, apenas metade do que estava previsto para 2013 ficou pronto. Na termoelétrica, houve um incremento maior na geração porque as usinas previstas para 2012 só entraram em operação no ano passado.

O nível baixo dos reservatórios das hidrelétricas e o aumento do consumo provocado pela onda de calor têm provocado a transferência de grande quantidade de energia da região Norte para o Sul e Sudeste, onde o nível dos reservatórios está mais crítico. De acordo com especialistas, quanto maior o bloco de energia transportado pelas linhas de transmissão, mais o sistema elétrico fica vulnerável a falhas. Assim, os atrasos nos projetos de geração e transmissão de energia têm feito falta nesse momento de maior estresse do sistema.

A competição no setor é apontada como um dos principais motivos do atraso nas obras. As empresas de energia entram em leilões para disputar hidrelétricas com apenas um projeto básico, que passa por mudanças após a conquista do contrato. “Depois que vencem é que [as empresas] vão fazer os estudos aprofundados. Os custos aumentam, novos problemas surgem e os prazos são ampliados”, diz Roberto Pereira D’Araújo, diretor do Instituto de Desenvolvimento Energético do Setor Elétrico (Ilumina). Entre as principais justificativas para os atrasos estão a demora no licenciamento ambiental e conflitos com comunidades ribeirinhas ou indígenas.

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A falta de planejamento do setor energético, segundo D’Araújo, também é demonstrada pelo fato de o Brasil usar, sem parar, usinas térmicas movidas a diesel e óleo combustível. “Essas usinas não são construídas para operar o tempo todo. É um sinal de que o sistema está pedindo novas usinas, as atrasadas e outras que nem foram pensadas.” Por conta da opção do governo em usar usinas a fio d’água (sem reservatório), o sistema também está mais dependente das chuvas, o que aumenta a necessidade de complementação. Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, parte da demanda será suprida pelas eólicas, mas o governo deve fazer novos leilões de térmicas em breve.

(Com Estadão Conteúdo)

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