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Atividade econômica do Brasil voltou aos níveis pré-pandemia, indica BofA

Analistas do banco acreditam que a atividade econômica voltou à normalidade, mas mostram apreensão com o desemprego e o fim dos programas emergenciais

Por Diego Gimenes Atualizado em 24 ago 2020, 19h43 - Publicado em 24 ago 2020, 19h32

Após um tombo gigantesco em abril, mês de maior impacto da pandemia de Covid-19 para a economia brasileira, quando fábricas e comércios baixaram as portas para diminuir o contágio da doença no país, uma retomada gradual da atividade econômica já se refletiu nos números de junho. Nesse mês, o comércio varejista cresceu 8% na comparação com maio, uma expansão natural frente ao baixo nível de atividade. O resultado, no entanto, chama a atenção por trazer um crescimento de 0,5% do setor na comparação com junho de 2019, na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada no último dia 12 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A comparação anual era negativa até maio, mês que registrou uma queda de 14,9% na comparação com o igual mês de 2019. O IBC-Br, outro índice importante, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e calculado pelo Banco Central, cresceu 4,89% em junho, em relação ao mês anterior. Com base nesse número, os analistas do Bank of America defendem que a atividade econômica no Brasil pode já ter retornado aos níveis pré-pandemia.

Mesmo com o número diário de óbitos por Covid-19 permanecer em um patamar elevado, tendo atingido quase 115 mil pessoas, estados e municípios já colocaram em prática planos de flexibilização do isolamento social. Mesmo que de máscara, e com a aferição de temperatura de funcionários e clientes nos estabelecimentos, as pessoas vão retomando, aos poucos, o hábito de ir às compras. Dados do Bank of America indicam que houve uma forte recuperação da atividade econômica do Brasil no mês de julho, segundo relatório dos analistas Ana Madeira e David Beker, enviado aos clientes nesta segunda-feira, 24.

No documento, eles defendem que a contração do PIB brasileiro deste ano pode ser menor do que as estimativas anteriores. Segundo o banco, o PIB deve encolher 5,2% — a previsão anterior era de -5,7%. Os especialistas alertam, no entanto, que a recuperação pode sofrer um baque com o fim dos programas de estímulos à economia. “O provável aumento rápido do desemprego à frente e os desafios significativos no cumprimento das regras fiscais podem dificultar um crescimento sustentável no médio prazo”, escreveram Madeira e Beker. O mercado estava otimista para o chamado “Big Bang Day”, previsto para esta terça-feira, quando a equipe econômica iria anunciar importantes programas, como o Renda Brasil, para manter o impulso da economia. No entanto, o presidente Bolsonaro freou o anúncio por acreditar que o auxílio de 257 reais ainda é insuficiente. Agora, o ministro Paulo Guedes e seus assessores técnicos voltarão a se reunir para encontrar alguma solução que possa agradar o presidente.

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