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Atenas ameaça impedir créditos a bancos que rejeitarem perdão da dívida grega

Atenas, 6 mar (EFE).- A Autoridade de Gestão da Dívida Pública da Grécia (PDMA) advertiu nesta terça-feira que os credores que se opuserem ao plano de perdão da dívida não receberão verbas procedentes do novo empréstimo internacional avaliado em 130 bilhões de euros.

‘O programa econômico da Grécia (financiado pela União Europeia e pelo FMI) não contempla fundos disponíveis para pagamentos aos credores do setor privado que se recusarem a participar da PSI (Participação do Setor Privado, nome oficial do plano de perdão)’, avisou a PDMA em comunicado.

A PSI pretende conceder o perdão de 107 bilhões de euros, ou seja, 53,5% do montante dos títulos da dívida pública grega em posse de grandes bancos privados e fundos de investimento.

Os papéis em questão serão substituídos por novos títulos gregos com 30,5% do valor dos atuais, de 20 anos de vencimento contados a partir de 2023, mais outros com um valor de 15% emitidos pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês), com vencimento em dois anos.

Boa parte do novo empréstimo para a Grécia destina-se precisamente a financiar esta troca, através do pagamento de incentivos e da recapitalização bancária.

Por enquanto, 12 entidades aceitaram participar de forma voluntária da PSI: as alemãs Deutsche Bank, Commerzbank e Allianz; as francesas BNP Paribas, AXA e CNP Assurances; a americana Greylock; a italiana Intesa San Paolo; a holandesa ING; e as gregas Alpha Bank, Eurobank e Banco Nacional da Grécia, segundo informou na terça-feira o Instituto Internacional de Finanças (IIF).

O prazo para a inscrição na PSI termina às 21 locais (16h de Brasília) da próxima quinta-feira.

Se a proporção de credores que aderirem de forma voluntária superar os dois terços do total de credores (em volume de dívida possuída), será votada a ativação de Cláusulas de Ação Coletiva (CAC), medida que obrigaria o um terço restante dos credores a aderir à PSI, mesmo que contra sua vontade.

As agências de classificação de risco consideram esta medida como uma moratória efetiva. Analistas alertam que esta situação injetaria instabilidade aos mercados internacionais. EFE