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Ata do Copom rearranja DIs; curtos sobem e longos recuam

Por Nalu Fernandes

São Paulo – O mercado futuro de juros reagiu de forma significativa à percepção de que há um piso para o nível da taxa Selic que não é inferior a 9%. A ata do Copom deflagrou um forte movimento de acumulação de prêmio nas taxas curtas pela manhã, parcialmente revertido no meio da tarde. No mesmo período, as taxas longas aprofundaram o declínio que já havia sido estimulado inicialmente pelo documento divulgado pelo Banco Central.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (659.945 contratos) estava em 8,93, ante 8,67% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2014 (704.405 contratos) marcava 9,56%, de 9,39% na véspera. O DI janeiro de 2017, com giro de 79.780 contratos, apontava a mínima de 10,70%, de 10,82% ontem, e o DI janeiro de 2021 (12.115 contratos) indicava a mínima de 11,20%, de 11,39%. Os volumes dos contratos negociados também foram significativos nesta quinta-feira.

A partir da ata do Copom, o entendimento de grande parte dos agentes do mercado é o de que o ciclo de relaxamento monetário deve se encerrar com a taxa Selic em 9%, ante o nível atual de 9,75%. Esta percepção provocou ajustes tanto nas taxas longas quanto nas curtas, principalmente, por parte dos participantes que esperavam um nível abaixo de 9% para a Selic ao final do ciclo atual e previam, como consequência, aumento adicional das pressões inflacionárias em horizontes mais longos. Mas foram rumores, no meio da tarde, de que membros do governo veem o juro em nível historicamente baixo por um longo período, que fizeram alguns vértices curtos e longos buscarem mínimas nesta quinta-feira.

Segundo o documento do BC, o “Copom atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando”. A percepção de participantes do mercado é de que o BC antecipou em um único movimento parte importante da redução do juro básico, movimento chamado de ‘frontload’ pelos participantes do mercado.

O BC ainda retirou a menção à continuidade da deterioração do cenário externo e apontou que estão ocorrendo mudanças no padrão de crescimento em casos específicos de países emergentes. Quanto aos preços, o BC mantém a projeção de que a “inflação acumulada em doze meses, que começou a recuar no último trimestre, tende a seguir em declínio e, assim, a se deslocar na direção da trajetória de metas”. O documento ofuscou, no mercado de juros, a divulgação de dados econômicos no ambiente externo nesta quinta-feira. Quanto à Grécia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou empréstimo de 28 bilhões de euros ao país.