ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Copom cita geopolítica, juros dos EUA e emprego ao reforçar cautela com a Selic

Banco Central divulga a ata do Copom em dia de dados oficiais da inflação

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 ago 2026, 08h07 | Atualizado em 11 ago 2026, 08h35
Copom cita geopolítica, juros dos EUA e emprego ao reforçar cautela com a Selic Priorizar nos meus resultados Google

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) afirmou, em ata publicada nesta terça-feira, 11, que fatores como o aumento das incertezas geopolíticas, a baixa taxa de desemprego e as dúvidas sobre a condução da política monetária americana, combinados ao arrefecimento da demanda agregada, exigem cautela na condução da política monetária brasileira.

Na última quarta-feira, 5, o Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic passou de 14,25% para 14% ao ano. No documento desta terça-feira, o Comitê afirma que o ambiente externo permanece incerto diante da indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e das dúvidas em relação à política monetária de algumas economias avançadas, como os Estados Unidos.

“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirma a ata.

Cenário interno ainda tem sinais mistos

O Comitê aponta que as expectativas de inflação para 2026 e 2027, apuradas pela pesquisa Focus, permanecem acima da meta, em 5,0% e 4,2%, respectivamente. Já as projeções do Banco Central para a inflação acumulada em quatro trimestres em 2026, 2027 e no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, são de 5,1%, 3,8% e 3,2%, respectivamente.

A ata explica que a atividade econômica doméstica manteve uma trajetória de moderação. Segundo o Copom, os indicadores correntes apontam para uma desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, disseminada entre os componentes de oferta e demanda do produto agregado.

Continua após a publicidade

“O Comitê relembra que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, diz a ata.

Por outro lado, o Copom reforça que a taxa de desemprego permanece em patamares historicamente baixos, enquanto o crescimento da taxa de ocupação vem apresentando desaceleração.

Continua após a publicidade

Os rendimentos médios também desaceleraram na margem, inclusive em termos nominais, mas continuam crescendo em termos reais a uma taxa superior à da produtividade do trabalho.

Além disso, o Comitê afirma que um quadro fiscal mais sólido poderia melhorar as expectativas de inflação. Na avaliação do Banco Central, porém, o enfraquecimento do esforço de reformas estruturais e de disciplina fiscal pode dificultar a convergência da inflação para a meta.

Continua após a publicidade

“O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, explica o documento.

Diante desses fatores, o Comitê afirma que o cenário atual, caracterizado por um aumento significativo da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário-base, exige serenidade e cautela na condução da política monetária.

Continua após a publicidade

“O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, conclui a ata.

Em suma, o Banco Central reconhece sinais de desaceleração da atividade econômica, mas reforça a necessidade de cautela na condução dos juros diante das incertezas externas, incluindo os conflitos no Oriente Médio e a trajetória da política monetária nos Estados Unidos. No cenário doméstico, a inflação ainda acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e as preocupações fiscais também podem limitar o espaço para novos cortes da Selic nas próximas reuniões.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).