Às vésperas de eleições, confiança de consumidor nos EUA cai ao menor nível em 12 anos
Americanos estão mais pessimistas sobre empregos e economia; eleição para Congresso ocorre em 3 de novembro
A confiança dos consumidores nos Estados Unidos despencou em setembro e atingiu o menor nível em mais de 12 anos, em um sinal de aumento da preocupação das famílias com a economia, o mercado de trabalho e o custo de vida.
O dado foi divulgado pouco mais de um mês antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
O índice de confiança do Conference Board caiu 7 pontos, de 89 em agosto para 82 em setembro.
Foi o pior resultado desde 2014. A queda também ocorreu nos dois componentes da pesquisa. A avaliação sobre as condições atuais da economia e as expectativas para os próximos meses.
A percepção sobre as condições atuais recuou 8 pontos, para 109. Já o índice que mede as expectativas para renda, negócios e mercado de trabalho caiu 5,9 pontos.
A avaliação dos consumidores sobre as condições atuais dos negócios ficou negativa pela primeira vez desde setembro de 2024.
A percepção sobre o mercado de trabalho também piorou, embora ainda permanecesse positiva.
Preços altos pesam no bolso
A deterioração da confiança ocorre em meio à persistência da inflação e ao aumento dos preços dos combustíveis.
Uma pesquisa diferente, da Universidade de Michigan, divulgada na semana passada, também mostrou piora do sentimento dos consumidores. O índice caiu de 52 em agosto para 48 em setembro, 15% abaixo do nível registrado em janeiro.
O levantamento apontou que as preocupações com preços elevados continuaram aumentando. Os consumidores também ficaram mais pessimistas sobre suas finanças pessoais e sobre as condições econômicas nos próximos 12 meses.
O preço dos combustíveis tem peso importante nesse cenário. A alta da gasolina afeta diretamente o orçamento das famílias e também aumenta os custos de transporte, produção e distribuição de mercadorias.
A pesquisa da Universidade de Michigan mostrou que o aumento dos preços dos combustíveis e as disputas comerciais estavam entre os fatores que pioraram as perspectivas dos consumidores para a economia.
Mercado de trabalho começa a preocupar
A confiança também está sendo afetada pela percepção de que o mercado de trabalho pode perder força.
O levantamento do Conference Board mostrou piora na avaliação dos consumidores sobre as condições de emprego e nas expectativas para os próximos seis meses.
O movimento não significa, por si só, que o mercado de trabalho esteja em crise, mas indica que as famílias passaram a enxergar mais riscos à frente.
Dados recentes sobre vagas disponíveis apontam na mesma direção. O número de postos de trabalho abertos caiu para 7,08 milhões em agosto, o menor nível em cinco meses, embora as demissões tenham recuado e as contratações tenham apresentado leve alta.
O mercado de trabalho, portanto, ainda não mostra uma deterioração generalizada. O que mudou foi a percepção dos consumidores sobre sua evolução.
Economia vira tema antes das eleições
O resultado ganha importância política porque ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Em 3 de novembro, os americanos escolherão todos os 435 integrantes da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. O resultado definirá qual partido terá maioria em cada uma das duas casas do Congresso pelos dois anos seguintes.
A economia costuma ocupar espaço central nas campanhas para o Congresso, especialmente questões como inflação, emprego, salários e custo de vida. A piora da confiança não permite, porém, concluir como os eleitores votarão ou antecipar o resultado das eleições.
O dado indica apenas que uma parcela maior dos americanos chega à reta final da campanha demonstrando preocupação com as condições econômicas.
Inflação também desafia o Federal Reserve
O cenário é particularmente complicado porque o Federal Reserve, o banco central americano, precisa equilibrar dois riscos. Evitar que a inflação permaneça elevada e, ao mesmo tempo, não provocar uma desaceleração excessiva da economia.
A alta dos combustíveis acrescenta pressão aos preços de bens e serviços e dificulta a tarefa do banco central.
O próprio Conference Board avalia que o ambiente de inflação renovada pode levar o Fed a manter uma política monetária mais restritiva, aumentando o risco de uma desaceleração maior do consumo.
Para as famílias, o problema é direto: preços mais altos reduzem o poder de compra. Para as empresas, custos maiores podem reduzir margens ou ser repassados aos consumidores, alimentando novamente a inflação.
É essa combinação que ajuda a explicar a queda dos índices de confiança em setembro: os americanos não apenas avaliam pior a economia atual, como também passaram a esperar condições menos favoráveis para os próximos meses.





