As mudanças que Renan Santos fará com a aposentadoria se for eleito
Candidato promete desatrelar aposentadoria do salário mínimo para reduzir gastos
O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) defendeu a desvinculação do piso das aposentadorias do salário mínimo como parte de sua agenda econômica. Segundo ele, os benefícios deveriam ser reajustados apenas pela inflação, em uma mudança em relação à política adotada pelo atual governo, que considera a inflação mais o crescimento do PIB para definir o aumento. As declarações foram dadas após questionamentos de VEJA sobre a política econômica que o candidato adotaria para aposentadorias e salário mínimo.
“O piso da aposentadoria precisa ser desatrelado ao mínimo. Vamos atrelar à inflação”, afirmou o candidato durante a 27ª conferência do Santander Brasil. Santos disse que a mudança não significaria reduzir o valor das aposentadorias, mas alterar o mecanismo de correção dos benefícios.
Na avaliação dele, o problema está no reajuste automático vinculado ao salário mínimo, que pressiona outras despesas públicas e, segundo sua visão, contribui para a inflação. “O problema é ficar amarrado, é ficar atrelado automaticamente”, disse.
Renan Santos vai mexer no salário mínimo?
Santos afirmou que não pretende alterar a regra de valorização do salário mínimo, mas criticou o uso do piso nacional como referência para outras despesas. Para ele, o ganho real concedido aos trabalhadores pode ser parcialmente neutralizado pelo aumento do custo de vida.
“O salário mínimo não seria alterado. Nós vamos alterar os aumentos que existem para outros pisos, não sendo determinados pelo aumento do salário mínimo”, afirmou.
Na avaliação do candidato, a política atual cria um efeito de “dar com uma mão e tirar com a outra”. Ele argumentou que o aumento real do salário mínimo pode ser acompanhado por uma elevação dos preços, reduzindo o ganho de poder de compra. “Isso é uma política populista. Você dá com uma mão e tira com a outra. E isso está sendo ruim também para o aposentado”, disse.
Renan Santos promete corte de gastos no funcionalismo público
Santos afirmou que sua proposta faz parte de uma agenda mais ampla de desindexação e redução de despesas públicas. Ele prometeu cortar privilégios do alto funcionalismo e rever gastos relacionados a renúncias fiscais concedidas a grandes empresas.
Segundo o candidato, a intenção é distribuir o esforço de ajuste fiscal entre diferentes grupos e criar condições para a redução dos juros. Questionado sobre as prioridades econômicas de um eventual governo, Santos afirmou que a principal frente seria a aprovação de reformas voltadas à redução das despesas públicas. A estratégia, segundo ele, teria como objetivo produzir um “choque de credibilidade” e melhorar as condições financeiras do país.
“Em termos de ação do governo, são reformas que foquem na redução de despesas, para você dar um choque de credibilidade no Brasil”, afirmou.
Na avaliação de Santos, uma política fiscal mais austera poderia contribuir para a queda da curva futura de juros e dar mais espaço para o Banco Central reduzir a taxa básica. O efeito esperado seria a melhora do ambiente econômico, com potencial para estimular investimentos e geração de empregos.
“Nós precisamos quebrar um clima de falta de crédito no Brasil e de insegurança por parte dos agentes econômicos em investir”, disse.
O candidato também afirmou que pretende manter uma relação “republicana” com o Banco Central e respeitar a autonomia da instituição. Segundo ele, o governo deverá fazer sua parte por meio do controle das despesas, enquanto caberia ao BC conduzir a política monetária de forma independente. “Eu vou fazer minha lição de casa e eu espero que eles façam a deles”, afirmou, ao defender a independência do Banco Central.







