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‘As meninas podem fazer o que quiserem’, afirma Mônica Sousa

Diretora-executiva da Mauricio de Sousa Produções fala sobre empoderamento feminino

Com o objetivo de elevar a autoestima das mulheres, a Mauricio de Sousa Produções criou o projeto Donas da Rua, com o apoio da ONU Mulheres. Nele, personagens da Turma da Mônica enfatizam a igualdade de gêneros nas histórias em quadrinhos, entre outras ações.

Mônica Souza, diretora-executiva da Mauricio de Sousa Produções, conversou com VEJA sobre o empoderamento das mulheres. “Começamos uma mudança de comportamento dentro das histórias”, diz.

Em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres, celebrado dia 8 de março, uma mostra em cartaz no Conjunto Nacional, em São Paulo, homenageia 18 mulheres. Na exposição, as personagens meninas da Turma da Mônica interpretam personalidades que se destacaram em diversas áreas – Magali é retratada como a pintora Tarsila do Amaral, e Mônica vira a a ativista e Prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai. Boa oportunidade para inspirar e saber que é possível chegar lá.

Como surgiu a ideia do projeto de Donas da Rua? 

Temos uma personagem feminina muito forte e começamos a ler, a pesquisar e a participar de palestras da ONU Mulheres. Nos deparamos com uma informação de que as meninas, até os seis anos de idade, começam a achar que os homens são melhores do que as mulheres em função do que elas assistem na sociedade, com profissões promissoras sendo ocupadas pelos homens e não por mulheres. Tendo personagens femininas fortes, não só a Mônica, mas também a Magali, a Rosinha, a Marina, entre outras, com autoestima muito boa, que se aceitam como são, se gostam, se valorizam, tínhamos de evidenciar para as meninas a capacidade que elas têm. E sempre falar de igualdade de gênero e que as meninas podem fazer o que elas quiserem e que não existe profissão para homem e profissão para mulher. Existe profissão para a humanidade, depende de você se capacitar.

Qual o retorno desde que o projeto foi lançado?

A ONU Mulheres fez palestras para nossos roteiristas e artistas para falar sobre meninas e mulheres. Tinha coisas simples que a gente não reparava, como colocar avental nas mães dos personagens. As personagens foram criadas nos anos 1960 e a maioria das mulheres não trabalhava na época. Elas ficavam em casa cuidando da casa e dos filhos. Começamos uma alteração de comportamento dentro das histórias, como tirar o avental das mães. De vez em quando, o Cebolinha chega em casa e quem está cozinhando é o pai dele. A Mônica joga futebol com os amiguinhos e a Marina também. Começamos a colocar situações que anteriormente eram mais praticadas pela Mônica para todas as meninas, nas histórias e nos desenhos animados. Mesmo ela sendo empoderada e sendo forte, começamos a colocar isso em todas famílias de personagens, porque esse tipo de igualdade é para os dois, se quisermos uma sociedade igualitária, mas também para homens e mulheres.

Em sua opinião, meninas empoderadas se tornarão mulheres empoderadas?

Com certeza. Se elas tiverem autoestima boa, tiverem confiança nelas mesmas, verem histórias de mulheres que foram importantes na humanidade e o que elas fizeram, elas vão se identificar e também às vezes se inspirar para seguir da mesma maneira.

Qual é o seu papel diretamente nesta ação?

Comecei a fazer palestras em escolas e em empresas para pais, meninas e garotos sobre o empoderamento delas e o que acontece na sociedade hoje. Se tem um casal de filhos, falar para eles lavarem a louça, e não apenas para elas. Tem muita casa hoje em que a menina tem o papel de cuidar da casa e da limpeza. O Brasil é muito grande, não é só São Paulo. Tem lugares em que as meninas saem da escola mais cedo porque precisam trabalhar como doméstica ou como babá para ajudar na casa. A gente precisa contar essas histórias para as pessoas ouvirem e se depararem que isso não é legal para a sociedade que a gente pensa e que quer para o futuro.

Por ser filha do Mauricio de Sousa você se sentiu mais cobrada para fazer algo?

Nunca me senti cobrada por isso. A Mauricio de Sousa Produções tem obrigação, já que temos um canal de comunicação enorme com dois milhões de revistas vendidas por mês e estamos na terceira geração de famílias que leem a Turma da Mônica e assiste aos filmes. Temos a obrigação de falar para a sociedade a respeito dessas diferenças, de colocar de maneira positiva e explicativa, mas não eu.

O que ainda precisa ser feito?

Educação e comunicação. A gente comete algumas falhas que não se dá conta. Os pais têm papel fundamental nisso. As meninas já estão pensando de maneira diferente, não se conformam mais em não poder jogar futebol com os meninos. Elas estão mais empoderadas, mas faltam os pais escutarem e se mostrarem dispostos a carregar esta bandeira, de que suas filhas têm a mesma condição do que os meninos. Não há nenhuma profissão que seja tão importante que elas não possam seguir.

O que o dia internacional da Mulher representa para você?

Eu acho que é para a gente lembrar, noite e dia, que a gente precisa brigar 365 dias por ano (risos). Não podemos desistir nem nos achar inferiores. Se as pessoas têm problema com relação a isso, o problema é delas; se elas têm preconceito, a gente não tem de se sentir diminuída por conta disso. Acho que a gente precisa brigar muito ainda, ainda está longe de termos uma sociedade igualitária, longe de as meninas terem as mesmas oportunidades do que os meninos. Todos os dias a gente precisa ajudá-las a enxergar que elas são empoderadas, isso vai ser bom para uma sociedade mais justa e bom para os homens no futuro, porque eles não precisam temer esse estereótipo de não poder chorar e ter a obrigação de sustentar uma família.

Comentários

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  1. Ataíde Jorge de Oliveira

    😮
    NãO
    :DE
    V E M# 😮

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