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As críticas de Bill Gates a Trump no combate ao coronavírus

Empresário sobe o tom após o presidente pedir à população que volte ao trabalho: "trazer a economia de volta é mais fácil que do que vidas"

Por Diego Gimenes Atualizado em 24 mar 2020, 20h10 - Publicado em 24 mar 2020, 19h53

Bilionário e filantropo, o fundador da Microsoft Bill Gates não poupou críticas críticas ao discurso adotado por Donald Trump, de religar os motores da economia o quanto antes para mitigar os efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus. “Realmente não há meio termo e imagino que seja muito difícil isso às pessoas: ‘ei, continue indo a restaurantes, vá comprar casas novas, ignore a pilha de corpos no canto. Queremos que você continue gastando, porque talvez haja um político que pense que o crescimento do PIB é tudo o que importa'”, vociferou o empresário em uma entrevista a um programa do grupo americano de conferências TED.

A declaração foi dada após um tweet na manhã de hoje, terça-feira, em que Donald Trump afirma ser possível que os americanos em bom estado de saúde retornem ao trabalho ao passo em que os idosos se mantenham em isolamento. O presidente pediu ainda ação imediata do Congresso e disse que os americanos “vão voltar fortes”.

Bill Gates continuou e foi sucinto ao defender o isolamento social. “É desastroso para a economia, mas quanto mais cedo você fizer isso, mais cedo poderá desfazê-lo e voltar ao normal”. A Fundação Bill e Melinda Gates, sua esposa, investiram cerca de 500 milhões de reais em pesquisas científicas e testes para o novo coronavírus. Ele ainda renunciou ao conselho da Microsoft para se dedicar exclusivamente às ações da Fundação.

Gates encerra afirmando que a situação é grave e que, no momento, deve-se priorizar vidas. “O efeito econômico disso é realmente dramático. Nada parecido aconteceu com a economia em nossas vidas, mas trazê-la de volta é mais fácil do que trazer as pessoas de volta à vida. Então, vamos lidar com a dor na dimensão econômica — uma dor enorme — para poder minimizar a dor na dimensão de doenças e mortes”.

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