As contas em ordem fazem de Vitória a campeã entre as grandes cidades do Sudeste
Com gestão fiscal equilibrada, a capital do Espírito Santo amplia investimentos, atrai negócios e melhora os serviços públicos
Prestes a completar 475 anos, Vitória, a capital do Espírito Santo, é um exemplo de como a responsabilidade fiscal, aliada ao incentivo ao empreendedorismo, pode melhorar a qualidade de vida dos cidadãos
Cercada pelo mar e com pouco mais de 320 000 habitantes, Vitória, a capital do Espírito Santo, se consolidou como uma das principais referências brasileiras em qualidade de vida ao oferecer um apurado planejamento urbano, o equilíbrio das contas públicas, investimentos em educação e um ambiente favorável aos negócios. O resultado desse esforço, que une o poder público e a iniciativa privada, foi reconhecido no ranking As Melhores Cidades do Brasil de VEJA NEGÓCIOS, elaborado em parceria com a agência de análise de crédito Austin Rating, uma das mais respeitadas do país, que apontou Vitória como a campeã de 2026 na categoria cidades de porte grande da Região Sudeste.
Segundo a prefeita Cristhine Samorini (Progressistas), a base do desenvolvimento vitoriense é a responsabilidade fiscal, que permite que o município invista em infraestrutura e amplie serviços estratégicos. O choque de gestão promovido em 2021 foi crucial para que a prefeitura investisse cerca de 2 bilhões de reais na cidade desde então. Um exemplo de como as contas públicas em ordem beneficiam os cidadãos é o programa Vitória de Frente para o Mar. Lançado em 2021, trata-se de uma das maiores intervenções urbanas em curso no país. A iniciativa está revitalizando a orla com a construção de novos espaços públicos e de lazer. O projeto também prevê a instalação de um centro náutico e áreas que serão concedidas à iniciativa privada, a fim de impulsionar o turismo, estimular novos negócios e fortalecer a atividade econômica do entorno. Os resultados já são visíveis. “Os imóveis na orla estão se valorizando, o comércio cresceu e novos empreendimentos estão previstos”, diz Samorini.
Outra alavanca de desenvolvimento é a educação. Desde 2021, Vitória implementou mudanças na rede municipal de ensino, com foco na alfabetização, na formação continuada de professores e no monitoramento da aprendizagem. Com isso, saltou do 12º lugar para o terceiro entre as capitais brasileiras, quando se considera a proporção de crianças alfabetizadas. Hoje, 79% dos alunos do segundo ano do ensino fundamental sabem ler. Cinco anos atrás, a parcela era de apenas 28%. No mesmo período, as escolas em tempo integral passaram de quatro para cinquenta e incorporaram ao currículo disciplinas como robótica, empreendedorismo e educação financeira. “O acesso ao ensino de qualidade rompe o ciclo de pobreza, violência e desigualdade”, afirma Juliana Rohsner, secretária municipal de Educação. Outra iniciativa é o estímulo ao ensino de matemática e ciências exatas para as meninas — áreas que são a base de profissões com grande demanda e bem remuneradas, como as engenharias e a tecnologia da informação, hoje dominadas pelos homens. Ao investir em educação, Vitória busca desenvolver mão de obra qualificada, estimular a inovação e fortalecer sua competitividade.
Entre os trunfos da cidade está também a localização, que a torna uma importante conexão entre o Brasil e o mercado internacional por via marítima. Para Eugênio Fonseca, diretor de relações institucionais da Vports, única autoridade portuária privada do Brasil e responsável pela administração dos terminais de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho, “essa combinação entre um bom ambiente de negócios e qualidade de vida cria as condições propícias para novos investimentos”. Prestes a completar 475 anos em setembro, a capital do Espírito Santo se prepara cada vez mais para o futuro.
Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28







