Artigo: Reconhecer quem empreende deveria ser parte da cultura nacional
Empresas que atravessam gerações preservam o que lhes deu credibilidade
Há valores que, em determinados momentos, precisam ser reafirmados. O mérito é um deles. Em um país que pretende crescer, gerar oportunidades e avançar, reconhecer quem empreende, investe, inova, assume riscos e cria empregos não deveria ser apenas uma celebração. Deveria ser parte essencial da cultura nacional. É com esse espírito que VEJA NEGÓCIOS realiza, pelo segundo ano consecutivo, o TOP30, iniciativa que reconhece empresas e executivos que se destacam pela capacidade de transformar negócios, setores e, em muitos casos, a própria sociedade. Mais do que entregar um prêmio, nós queremos valorizar uma ideia: o sucesso construído com trabalho, talento e competência merece ser reconhecido, merece aplausos.
Essa convicção está enraizada na Abril. Ao longo de décadas, nossas marcas acompanharam as grandes transformações do Brasil, ajudaram a formar gerações de leitores e participaram dos principais debates nacionais. Sempre acreditamos na força das ideias, no conhecimento, na liberdade e na iniciativa privada como motores do desenvolvimento. Mas ter história não significa viver do passado. A Abril se movimenta hoje em um ambiente radicalmente diferente daquele em que nasceu.
“Reconhecer o mérito deveria ser parte essencial da cultura nacional”
Somos cada vez mais multiplataforma. Estamos nas revistas, onde construímos parte importante de nossa reputação; no universo digital, que amplia diariamente nosso alcance; nas redes sociais, onde novas gerações consomem e compartilham informação; nos eventos, que transformam nossas marcas em espaços de encontro, debate e relacionamento; e agora também nas Smart TVs, com o canal VEJA+, levando nosso conteúdo para 16 milhões de espectadores. Temos 22 marcas que carregam identidades próprias e estabelecem relações profundas com seus públicos. Elas construíram algo que não pode ser produzido por um algoritmo nem adquirido da noite para o dia: credibilidade.
Vivemos uma época extraordinária pela quantidade de informação disponível e, paradoxalmente, desafiadora pela dificuldade de distinguir informação de ruído. A fragmentação das audiências, a velocidade das redes sociais e a proliferação das fake news criaram um ambiente no qual qualquer pessoa pode publicar uma afirmação e, não raramente, apresentar-se como dona da verdade. Nesse cenário, marcas jornalísticas fortes têm uma responsabilidade ainda maior. Não somos donos da verdade. Somos responsáveis por procurá-la. Existe uma diferença essencial entre as duas coisas. É justamente aí que história e modernidade se encontram.
A tecnologia muda. As plataformas mudam. A maneira como as pessoas consomem informação continuará mudando em uma velocidade provavelmente ainda maior nos próximos anos. A Abril precisa — e vai — acompanhar essa transformação.
O TOP30 representa bem essa visão. Ao reconhecer quem gera riqueza, cria empregos e transforma ideias em realidade, reafirmamos nossa confiança no mérito e nossa defesa intransigente da livre-iniciativa. Porque sociedades que prosperam são aquelas que valorizam quem realiza. E empresas que atravessam gerações são aquelas capazes de preservar aquilo que lhes deu credibilidade enquanto têm coragem para mudar tudo aquilo que o futuro exige.
Mauricio Lima é CEO da Editora Abril
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







