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Armazenamento de água está próximo a níveis ao pré-racionamento de 2000

Região Nordeste vive a pior situação e as térmicas acionados pelo ONS não estão funcionando em sua plenitude

As chuvas que caíram nas últimas semanas não foram suficientes para recuperar o nível dos reservatórios das hidrelétricas. O porcentual de armazenamento continuou caindo na semana passada para níveis próximos ao do pré-racionamento, em 2000. No sistema Sudeste/Centro-Oeste, o nível dos reservatórios está em 34,6%; no Norte, 39,6%; e no Sul, 40,7%.

A Região Nordeste vive a pior situação, com um nível de reservatório em 32,3%, apenas 5,8 pontos acima do limite de segurança para o abastecimento do mercado – um mecanismo de alerta criado pelo governo federal após o racionamento de 2001.

Trata-se do pior nível desde 2003, quando o volume de água nas represas caiu para 18,97%. A esperança é que as chuvas do final de novembro e de dezembro sejam mais consistentes e consigam recompor os lagos das hidrelétricas. Mas, pelas previsões dos institutos de meteorologia, no Nordeste, as chuvas virão apenas em janeiro, e ainda assim abaixo do previsto. Só em novembro, o nível dos reservatórios da região recuou 1,8 ponto porcentual.

Térmicas – Para preservar os reservatórios, há quase um mês o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou os cerca de 11 mil megawatts (MW) de energia das térmicas emergenciais. Contudo, algumas usinas ainda têm tido dificuldade para produzir o volume programado. Há unidades que não conseguiram produzir um único megawatt (MW) nesse período, o que fez a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciar uma rígida fiscalização nas usinas.

Essas termoelétricas, movidas a óleo combustível, diesel e carvão, são contratadas para ficar em espera para qualquer emergência no sistema elétrico. Para ficarem paradas à espera de um chamado do ONS, elas ganham uma receita fixa mensal e, quando acionadas, além da renda mensal, recebem também pelo custo do combustível, que é extremamente elevado – acima de 500 reais o MW hora. Todo esse dinheiro sai do bolso dos brasileiros quando pagam a conta de luz.

Mas, como já ocorreu em 2007, quando faltou gás natural para atender às usinas, nem todas as térmicas estão preparadas para produzir energia elétrica quando são solicitadas. No início, a diferença entre os volumes programados pelo ONS e o que realmente foi gerado era da ordem de 2 mil MW médios – equivalente à geração de uma usina como a de Santo Antônio, no Rio Madeira. Hoje esse volume caiu bastante, para algo em torno de 800 e 500 MW médios. Mas a queda não é resultado apenas da melhora no desempenho das usinas. Como algumas não estavam operando, o ONS retirou as unidades da programação.

“Estamos fazendo estudos diários com base nos relatórios do operador e, à medida que encontramos grandes discrepâncias, iniciamos a fiscalização”, afirma o superintendente de Fiscalização dos Serviços de Geração, Alessandro D�’Afonseca Cantarino. Segundo ele, algumas fiscalizações são feitas no escritório. Outras in loco, como já ocorreu em usinas no Ceará, Piauí, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte. Dependendo do resultado da fiscalização, a agência poderá até suspender a operação comercial das térmicas. “Estamos estudando alguns processos. Os geradores já foram notificados para apresentar suas justificativas.”

Drama – Para completar o cenário, vários parques eólicos que poderiam estar poupando água nos reservatórios estão parados no meio do Nordeste por falta de linha de transmissão. No total, são 32 usinas prontas e sem gerar um único MW. Em alguns casos, o sistema de transmissão só ficará pronto dentro de um ano, na melhor das hipóteses. O problema é que a estatal Chesf, responsável pela construção das linhas, não conseguiu concluir – em alguns casos, nem começar – as obras dentro do prazo previsto.

Copa do Mundo – Para garantir o fornecimento de eletricidade às cidades sede da Copa do Mundo de 2014, o Ministério de Minas e Energia (MME) criou um grupo de trabalho para revisar o Contrato de Gestão e Reestruturação do seu Plano de Metas junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no período 2013-2015. A criação do grupo foi publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União (DOU). O grupo terá 60 dias para realizar a revisão do plano de gestão. O objetivo é fazer com que a Aneel amplie suas ações de fiscalização, por meio da imposição de metas aos agentes de geração, transmissão e distribuição de energia.

(com Estadão Conteúdo)