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Argentina volta aos anos 80 e congela preços

Governo Cristina Kirchner obriga supermercados a manter valores inalterados por 60 dias; FMI questionou nos últimos dias a veracidade de dados como a inflação e o PIB do país

Por Da Redação - 5 fev 2013, 13h30

O governo argentino tomou uma medida populista e característica dos anos 80: obrigou os supermercados a congelar os preços pelos próximos 60 dias. Os consumidores vem reclamando dos altos preços dos produtos de primeira necessidade. A intervenção é mais um dos artificialismos econômicos criados pela presidente Cristina Kirchner. Nos últimos dias, o Fundo Monetário Internacional (FMI) criticou a manipulação dos dados oficiais do país, como o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação, que para o governo foi de 10,8% no ano passado e para institutos independentes de pesquisa ficou acima de 25%.

Os supermercados argentinos, que incluem grandes redes internacionais como a francesa Carrefour e a americana Walmart, se comprometeram a congelar os preços dos produtos a pedido da Secretaria de Comércio Interior. O ministro Guillermo Moreno ameaçou quem não cumprisse a ordem com punições. O acordo entre o governo e a associação dos supermercados do país vai até 1° de abril. Juan Vasco Martinez, presidente da Associação de Supermercados Unidos, confirmou que “todos os produtos dos supermercados” continuarão com os mesmos preços de 1º de fevereiro.

Segundo o jornal Clarín, o governo erra mais uma vez ao tentar frear a inflação com o congelamento de preços que começou nessa segunda-feira. O jornal é o principal opositor e alvo de constantes ataques do governo Kirchner. O periódico informa que o acordo pode ser ampliado para os fabricantes. Mas, por enquanto, a medida só comprometeu as grandes redes varejistas.

A cidade de Santa Fé, por exemplo, negou que tenha recebido qualquer comunicado do governo sobre o congelamento dos preços e, por isso, não acatará a medida por enquanto, segundo informou o jornal La Nación, de Buenos Aires. O diretor da secretaria de comércio da província argentina informou ao periódico que ficou sabendo da medida pela imprensa, apesar de haver na região algumas das redes de supermercados que teriam sido informadas, como Carrefour, Walmart e Coto.

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A medida também sofreu duras críticas do líder dos caminhoneiros Hugo Moyano, chefe da Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e grande opositor do governo. Para o sindicalista, ações unilaterais feitas pela presidente reduzem a possibilidade de discussão e podem trazer conflito. Moyano acrescentou em seu discurso que, ao congelar os preços, o governo evitaria um aumento nos salários.

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