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Argentina suspende acordo econômico com México

Governo de Cristina Kirchner tentou renegociar o pacto, tal como o Brasil havia feito. Buenos Aires, contudo, não conseguiu convencer os mexicanos

A Argentina suspendeu nesta terça-feira por três anos seu acordo de complementação econômica com o México, que inclui trocas estratégicas na indústria automobilística, informou o jornal oficial argentino. “Suspende-se a aplicação do Acordo de Complementação Econômica, assim como também o apêndice sobre o Comércio no Setor Automotor entre Argentina e México”, afirmou a publicação.

O governo da presidente Cristina Kirchner havia antecipado seu mal-estar com o déficit comercial com o México, que gira em torno dos 700 milhões de dólares no setor automotivo e mais de 2 bilhões de dólares no total, segundo dados oficiais mexicanos para 2011.

O acordo, assinado neste ano, estabelecia os prazos para a implementação do livre comércio no setor automotivo e promovia a integração e complementação produtiva de seus setores automotivos. No início de 2012, o Brasil primeiro e a Argentina depois levantaram a necessidade de renegociar os termos do convênio. Em abril passado, o Itamaraty conseguiu renegociar um acordo particular que estabelece limites para o fluxo comercial de veículos durante os próximos três anos. A Argentina tentou fazer o mesmo, mas o México não aceitou.

“A Argentina nos comunicou sua intenção de suspender os efeitos deste Acordo de Complementação Econômica, sob o argumento de um crescente déficit”, particularmente no comércio bilateral de veículos leves, antecipou Bruno Ferrari, secretário da Economia do México.

Pouca seriedade – O secretário não poupou críticas a Buenos Aires. “A falta de competitividade da economia da Argentina se traduz por pouca seriedade no cumprimento de seus compromissos comerciais e, ao mesmo tempo, por um incremento na aplicação de medidas restritivas ao comércio”, disse Ferrari.

A oferta de veículos mexicanos em 2011 foi de quinze modelos diferentes no mercado argentino, representando um total de 9,5% das vendas de veículos, segundo um relatório da consultoria abeceb.com. No entanto, como destino das exportações argentinas, o México representou 2,6% das vendas de automóveis ao exterior em 2011, de acordo com a mesma fonte.

(com Agence France-Presse)