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Argentina critica FMI por considerar dados de inflação de consultorias

O governo argentino considerou nesta segunda-feira como “irrelevante e improcedente” o fato de o Fundo Monetário Internacional (FMI) dar crédito a dados de inflação elaborados por consultorias privadas que se contrapõem ao índice oficial, disse a diretora do Indec, Ana María Edwin.

“Consideramos irrelevante e absolutamente improcedente, além da surpresa que nos causou”, disse a diretora do Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec), sobre a postura do FMI favorável a utilizar dados econômicos alternativos para oferecer suas avaliações sobre a Argentina.

O diretor para a América Latina do fundo, Nicolás Eyzaguirre, criticou na sexta-feira passada a ausência de um índice nacional de inflação na Argentina e afirmou que levariam em conta os dados das consultorias privadas.

“Ainda não temos um índice de preços do consumo integral (nacional) na Argentina, por isso, enviamos para lá uma missão técnica”, declarou Eyzaguirre, completando que “as coisas poderiam avançar, mas necessitamos utilizar quanta informação for possível”.

A missão técnica do FMI entregou em abril suas recomendações que ainda não foram aplicadas pelo governo argentino, que disse que colocaria em andamento no ano que vem o novo índice inflacionário.

Em resposta às reclamações da entidade, Edwin advertiu nesta segunda-feira que as metodologias utilizadas por algumas consultorias privadas “não têm a menor confiabilidade” e assegurou que por esse motivo a secretaria de Comércio Interior as denunciou penalmente.

“Não admitem aprovar um curso básico de estatísticas por correspondência”, ironizou sobre as consultorias.

A secretaria de Comércio Interior impôs multas de 500.000 pessoas (125.000 dólares) às consultorias por darem informações supostamente falsas ou não sustentadas ao divulgar seus próprios índices de inflação, que são ao menos duas vezes superiores ao índice oficial.

Para evitar as multas, as consultorias deixaram de divulgar seus estudos alternativos que são divulgados por parlamentares da oposição no Congresso.

Em agosto, o Indec estimou que o custo de vida subiu 0,8%, enquanto as consultorias o estimaram em 1,87%.

Em 2010, o custo de vida subiu 10,9%, segundo o Indec, enquanto as companhias do mercado o estimaram entre 22% e 25%.