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Argentina afirma que pagará dívidas e acusa fundos abutres de extorsão

Anúncio publicado no jornal The New York Times diz que houldouts se recusaram a negociar os títulos da dívida. Credores negam a informação

A Argentina afirmou na quinta-feira que pagará suas dívidas e que deseja manter o diálogo com seus credores “de forma justa, equitativa e nos termos legais”. A Argentina também acusou os chamados fundos abutres, que não aceitaram a reestruturação da dívida, de extorsão e de fazerem ameaças e calúnias contra o país. “Calote significa não apagar e a Argentina paga. É hora de parar com mentiras e especulação”, informou a Argentina, em anúncio de página inteira publicado no jornal norte-americano The New York Times na quinta-feira.

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O que são fundos abutres?

Fundo abutre é um jargão do mercado financeiro usado para classificar fundos de hedge que investem em papéis de países que deram calote – atuam, em especial, na América Latina e na África. Sua atuação é perfeitamente legítima. O termo abutre foi criado para diferenciá-los dos fundos convencionais, justamente por trabalharem como ‘agiotas’ de países caloteiros, emprestando dinheiro em troca de ‘títulos podres’. São considerados pelo mercado uma espécie de ‘investidor de segunda linha’. Sua atuação consiste em comprar títulos da dívida de nações em default por valor irrisório para depois acionar o país na justiça e tentar receber ganhos integrais. Os ‘abutres’ compraram os papéis da dívida argentina por 48,7 milhões de dólares em 2001 e querem receber, hoje, cerca de 1 bilhão de dólares. A Argentina, por sua vez, tenta escapar do pagamento. O país teme que, caso aceite pagar os ‘abutres’ integralmente, os 92% de credores que aceitaram a renegociação da dívida em 2005 e 2010 possam buscar na Justiça o direito de receber ganhos integrais. Neste caso, o pagamento poderia reduzir as reservas internacionais do país a praticamente zero. Outro agravante é que, devido ao histórico de calotes e decisões econômicas escandalosas do país, sua credibilidade para negociar com credores está fortemente abalada.

Segundo o anúncio, assinado pela presidente Cristina Kirchner, os fundos abutres se recusaram a negociar os títulos da dívida e, por isso, não participaram da reestruturação entre 2005 e 2010, que teve adesão de 93% dos credores. O texto diz que os fundos abutres querem um lucro de 1.600%, o que poderia elevar a atual dívida de 1,5 bilhão de dólares para 120 bilhões de dólares. As delcarações são uma resposta a outro anuncio da American Task Force Argentina (ATFA), grupo formado pelos credores que não aderiram à reestruturação da dívida, publicado na quarta-feira pela imprensa argentina. O ATFA afirma que o governo argentino se recusou a negociar a dívida, e que um novo calote teria consequências desastrosas para as empresas do país.

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No final de junho, a Argentina depositou mais de 1 bilhão de dólares para pagar os juros de títulos de sua dívida aos credores que aceitaram a reestruturação da dívida, excluindo os holdouts. O pagamento, entretanto, foi classificado ilegal e desconsiderado pelo juiz norte-americano Thomas Griesa. Do valor total, 832 milhões de dólares foram enviados aos Estados Unidos, sendo que os 539 milhões de dólares depositados no Bank of New York Mellon também foram bloqueados pela Justiça. O Estado de S. Paulo ainda informa que Griesa convocou uma nova audiência para debater o assunto, a pedido dos bancos Bank of New York Mellon e JPMorgan. A reunião será realizada na próxima terça-feira, em Nova York. Caso não haja alterações na decisão do juiz, a Argentina terá até 30 de julho para honrar os compromissos de sua dívida e evitar o segundo calote em treze anos.