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Apostas ajudam a inflar música no Spotify e expõem novo risco de manipulação online

Plataforma removeu mais de 500 mil reproduções de uma canção após identificar atividade de robôs

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jul 2026, 13h53 | Atualizado em 3 jul 2026, 16h08
Apostas ajudam a inflar música no Spotify e expõem novo risco de manipulação online Priorizar nos meus resultados Google

Uma investigação do Spotify levou à remoção de mais de 500 mil reproduções da música “Earrings”, do cantor Malcolm Todd, após a plataforma identificar sinais de manipulação por robôs.

O caso chamou atenção porque a disparada da música nas paradas coincidiu com apostas feitas no mercado de previsões Kalshi, levantando preocupações sobre um novo tipo de fraude digital.

A canção, lançada em 2024, saltou cerca de 70% em reproduções nos Estados Unidos entre domingo e segunda-feira, chegando ao primeiro lugar no ranking diário do Spotify.

Após a revisão, a empresa concluiu que parte significativa desse crescimento foi artificial e retirou as reproduções consideradas inválidas, o que faria a música cair para a quarta posição no ranking.

Não há indícios de envolvimento de Malcolm Todd ou de sua equipe na suposta manipulação.

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Apostas renderam lucro antes da correção

Antes da explosão nas reproduções, apostadores da Kalshi atribuíam apenas cerca de 2,5% de chance de que a música terminasse junho como líder do Spotify nos Estados Unidos.

Mesmo assim, alguns usuários apostaram nesse cenário e receberam pagamentos antes que o Spotify corrigisse o ranking. Segundo o Financial Times, quem acertou o resultado obteve retorno de aproximadamente 20 vezes o valor investido.

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O episódio reforça preocupações de que mercados de previsão possam incentivar tentativas de alterar acontecimentos do mundo real para obter ganhos financeiros.

Mercados de previsão entram na mira

Plataformas como Kalshi e Polymarket permitem que usuários apostem na ocorrência de eventos futuros, como indicadores econômicos, eleições, decisões judiciais e desempenho de produtos culturais.

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Embora funcionem como mercados financeiros baseados em probabilidades, especialistas vêm alertando que a popularização desse modelo pode abrir espaço para manipulação quando os eventos apostados podem ser influenciados por terceiros.

Nos últimos meses, autoridades já investigaram casos envolvendo apostas relacionadas a operações militares e até medições meteorológicas, ampliando o debate sobre a necessidade de supervisão dessas plataformas.

Fraudes em streaming não são novidade

A manipulação de reproduções em serviços de música existe há anos e normalmente envolve o uso de programas automatizados para aumentar artificialmente a audiência de determinadas faixas e ampliar o pagamento de direitos autorais.

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O avanço da inteligência artificial tornou esse problema ainda mais complexo, ao facilitar a criação de músicas e a automatização de reproduções em larga escala.

Segundo o Spotify, a empresa utiliza sistemas para identificar reproduções artificiais e afirma que não remunera faixas beneficiadas por esse tipo de fraude.

Spotify também pressiona Kalshi

Após o episódio, o Spotify solicitou que a Kalshi deixasse de utilizar sua marca e seu logotipo na divulgação das apostas relacionadas ao ranking musical.

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A plataforma de apostas informou que está investigando o caso e acrescentou um aviso esclarecendo que seus produtos não possuem qualquer vínculo ou aprovação do serviço de streaming.

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