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Aposentada perde R$ 37 milhões em golpe de falso investimento

Polícia Civil do RS investiga esquema que usava grupos de mensagens, falsas promessas de lucro e cobranças adicionais para obter dinheiro das vítimas

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 ago 2026, 10h01 | Atualizado em 13 ago 2026, 10h22
Aposentada perde R$ 37 milhões em golpe de falso investimento Priorizar nos meus resultados Google

Uma mulher de 70 anos perdeu mais de 37 milhões de reais após cair em um esquema que prometia investimentos no mercado financeiro. A fraude é alvo da Operação Criptoabate, deflagrada nesta quinta-feira, 13, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de praticar estelionato por meio de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.

A operação mobilizou agentes em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e nas cidades paulistas de São Paulo e Santos. Ao todo, são cumpridos dez mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. A ofensiva tem 18 investigados como alvo, dos quais oito estão sujeitos a medidas cautelares que não envolvem prisão. Até o início da manhã desta quinta-feira, dois suspeitos haviam sido presos.

A vítima teria sido atraída para grupos de mensagens que se apresentavam como espaços destinados a discussões e aprendizado sobre investimentos. Segundo a investigação, a composição desses grupos ajudava a conferir aparência de legitimidade à operação. Havia pessoas que se apresentavam como especialistas e assistentes, além de outros participantes que mantinham interações coordenadas.

Nesse ambiente, eram divulgadas supostas avaliações do mercado, recomendações financeiras e informações sobre ganhos obtidos com as aplicações. A estratégia teria convencido a aposentada de que seus investimentos estavam dando retorno, fazendo com que ela elevasse progressivamente os valores enviados.

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O problema apareceu quando a mulher tentou recuperar o dinheiro. O resgate teria sido impedido e, a partir daí, começaram as exigências para que novos valores fossem depositados. Os pagamentos eram apresentados como necessários para cobrir despesas, impostos ou taxas e permitir a liberação do patrimônio.

A cada nova transferência, segundo a polícia, outra justificativa era apresentada. Na tentativa de recuperar os recursos que já havia enviado, a vítima continuou fazendo pagamentos. A empresa apontada como responsável pela fraude é a TDASX.

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Os investigadores encontraram indícios de que a estrutura utilizada contra a aposentada pode ter atingido outras pessoas. Pelo menos 140 potenciais vítimas foram identificadas em ambientes digitais associados à mesma forma de atuação. A polícia também encontrou registros de suspeitas de fraude semelhantes relacionados às estruturas financeiras investigadas.

A movimentação dos recursos é outra frente da apuração. Entre os alvos dos mandados de prisão estão três proprietários de empresas que trabalham com operações envolvendo criptoativos. De acordo com a Polícia Civil, o dinheiro enviado pela principal vítima passou inicialmente por contas empresariais e depois foi distribuído entre outras empresas e intermediários financeiros, até chegar ao mercado de criptomoedas.

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A investigação também levantou uma possível ligação com o sistema bancário. Uma gerente de um banco tradicional está entre os alvos de prisão. Segundo a polícia, 24 das 25 primeiras empresas que receberam transferências feitas pela principal vítima mantinham contas na mesma instituição financeira.

A investigação que resultou na Operação Criptoabate durou um ano e seis meses. Durante esse período, os policiais recorreram à análise de informações bancárias e telemáticas, à inteligência financeira, a métodos de investigação cibernética e ao rastreamento de ativos virtuais.

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A partir do material apreendido, a Polícia Civil pretende avançar na identificação de eventuais novas vítimas e de outras pessoas que possam ter participado do esquema. Também busca localizar bens e recursos que eventualmente possam ser recuperados.

A corporação recomenda cautela diante de ofertas de rentabilidade muito acima do padrão, plataformas de investimento que não apresentem credenciais passíveis de verificação e pedidos de novos depósitos para liberar recursos que, segundo a promessa feita ao investidor, já estariam aplicados.

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