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Após voto desfavorável, BRF quer renegociar com Cade

Presidente da empresa não descarta a venda de marcas

Por Da Redação 10 jun 2011, 10h34

O presidente da Brasil Foods (BRF), José Antônio do Prado Fay, corre contra o tempo. Ele tem cerca de 50 dias para virar o jogo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e aprovar a união da Sadia com a Perdigão, que deu origem à BRF. O processo, que se arrasta há dois anos, tornou-se muito desfavorável para a empresa depois que o conselheiro Carlos Ragazzo, relator do caso, reprovou a fusão na última quarta-feira. O julgamento foi interrompido na quarta-feira depois que o conselheiro Ricardo Ruiz pediu vista do processo, mas deve ser retomado em breve.

Fay afirma que vai trabalhar para mudar a imagem de inflexível que pode ter deixado no órgão antitruste e está “aberto à negociação” para chegar a um acordo com o Cade. É uma mudança e tanto no discurso do executivo. Até o baque com o voto de Ragazzo, ele não admitia nem conversar sobre a hipótese de vender as marcas Sadia ou Perdigão. Ontem, ao ouvir a pergunta novamente, não disse sim nem não – desconversou. “Não estou afirmando que descarto ou não descarto. O que estou dizendo é: eu não quero”, afirmou.

Segundo o site de VEJA havia apurado com fontes que acompanharam a negociação, a decisão de reprovação da fusão pode ter sido uma estratégia combinada entre os conselheiros para que a empresa ceda nas exigências feitas pelo Cade.

O relator Carlos Ragazzo afirmou, por exemplo, que a concentração de mercado liberaria a empresa para esfolar a clientela, com aumentos de até 40% nos preços de alguns produtos. Fay precisa convencer os colegas do relator que o perigo não existe. “Aumento de 40% não existe. Se fizer isso, o consumidor não compra mais meu produto. Nem a Petrobras, que é monopolista, consegue impor uma coisa dessas”.

(Com Agência Estado)

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