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Após vinte anos de negociações, Rússia entrará oficialmente na OMC

Anúncio será feito nesta quarta-feira, apesar da forte oposição do Partido Comunista russo

Por Da Redação - 21 ago 2012, 11h41

A Rússia se transformará oficialmente nesta quarta-feira, após quase duas décadas de negociações, no 156º membro da Organização Mundial do Comércio (OMC), e abrirá assim ao mundo um mercado de mais de 140 milhões de consumidores.

A adesão da Rússia à OMC teve uma forte oposição no país, sobretudo dos comunistas, que inclusive recorreram sem sucesso à justiça por considerá-la altamente prejudicial aos interesses da nação. O longo caminho começou em 17 de junho de 1995, quando foi realizada em Genebra a primeira das 31 reuniões do Grupo de Trabalho que foram necessárias para se conseguir um acordo para incluir o país na organização.

Dois anos antes, o então presidente russo, o já falecido Boris Yeltsin, tinha pedido a entrada da Rússia no Acordo Geral sobre Tarifas Alfandegárias e Comércio (GATT), antecessor da OMC, para evitar a discriminação em seu comércio com Ocidente. Na época, a Rússia se encontrava imersa em uma profunda crise econômica e acabava de começar sua caminhada para transformar uma economia centralizada e planificada em capitalista.

Para ingressar na OMC, as autoridades russas tiveram que fechar 30 acordos bilaterais sobre o acesso aos mercados de serviços e 57 sobre o setor de mercadorias do país.

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As negociações mais complexas foram com os Estados Unidos e a União Europeia (UE). As conversas com Washington, que duraram seis anos e culminaram com a assinatura de um protocolo de intenções, em 2006, foram minadas por divergências em relação à regulação dos mercados financeiros, direitos de propriedade intelectual e à importações de produtos agrícolas americanos.

O acordo com a União Europeia foi estipulado em 2010, após Moscou aderir ao Protocolo de Kioto sobre Mudança Climática. O último grande empecilho que a Rússia teve que superar foi a oposição da Geórgia, antiga república soviética, com quem travou uma guerra de cinco dias em agosto de 2008, e que tinha declarado sua intenção de bloquear a entrada de Moscou na organização.

Esta dificuldade foi superada em novembro do ano passado, quando Moscou e Tbilisi assinaram um acordo para o controle de passagem de mercadorias pelas regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e a Abkházia, que a Rússia reconhece como Estados independentes.

Os analistas consideram que a Rússia se beneficiará enormemente ao abrir seus mercados ao mundo, que necessita dos abundantes recursos naturais que o país dispõe. Apesar disso, a entrada na OMC significará um grande ajuste para Rússia, que terá que diminuir substancialmente as tarifas que atualmente adota para as importações.

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Para Gennady Ziuganov, líder do principal grupo opositor do país, o Partido Comunista, a Rússia não está preparada para ingressar na OMC. “O estado dos principais setores da economia não permite competir com as corporações ocidentais e o restante da indústria não fabrica produtos que o mercado mundial necessita”, afirmou. Ziuganov sustentou que não há estímulos econômicos para o ingresso da Rússia na OMC, pois as principais exportações russas, as matérias-primas e o combustível, não são objeto das regulações da instituição.

A Rússia tem as maiores reservas de gás natural do mundo, a segunda de carvão e a oitava de petróleo, matérias-primas que ao lado da siderurgia, indústria madeireira e armamentos constituem 80% de suas exportações. Como resultado de sua entrada na OMC, a Rússia deverá diminuir até 2015 sua taxa alfandegária da média atual de 9,5% até 6%.

Em 2011, Rússia exportou 522 bilhões de dólares em mercadorias e 54 bilhões de dólares em serviços, ocupando o nono lugar entre os maiores exportadores do mundo.

Nesse mesmo ano, as importações russas de mercadorias e de serviços totalizaram 323 bilhões de dólares e 90 bilhões de dólares, respectivamente.

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(Com agência EFE)

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