Após proibição das bets, VEJA testa site clandestino e consegue jogar no Tigrinho; assista aos vídeos
Plataformas irregulares continuam funcionando livremente, aceitam apostas e oferecem bônus aos jogadores
Enquanto o governo proíbe as bets legais, sites clandestinos continuam recebendo apostas. VEJA depositou 20 reais em uma plataforma apontada como irregular, jogou no Tigrinho e, em menos de meia hora, viu o saldo cair para 27 centavos. A proibição de novos depósitos nas empresas autorizadas já estava em vigor desde a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira, 25.
O Tigrinho, nome popular do Fortune Tiger, é um caça-níquel virtual incluído na proibição dos jogos online. O apostador paga por uma rodada, vê o resultado em segundos e pode tentar de novo imediatamente. O jogo ganhou espaço nas redes sociais, onde influenciadores foram investigados por divulgar plataformas ilegais com promessas enganosas de ganhos.
A reportagem também encontrou apostas para o amistoso entre Brasil e Austrália, disputado nesta terça-feira, 29. O site exibia diferentes resultados possíveis e quanto pagaria em caso de acerto. Em vídeo, VEJA registrou a seleção de um palpite e um cupom de 10 reais.
Outra gravação mostra uma oferta para incentivar novos depósitos. Ao voltar à página inicial de uma plataforma, a reportagem recebeu a informação de que havia um bônus de 30 centavos disponível. Para multiplicar o valor por cinco, bastava depositar mais dinheiro.
A aposta feita por VEJA expõe uma brecha em um mercado que já tinha uma presença clandestina expressiva antes da proibição. Um estudo da LCA Consultoria Econômica, encomendado pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR), estimou que operadores ilegais concentravam de 38% a 44% das apostas e movimentavam entre 32,9 bilhões e 43,3 bilhões de reais por ano.
Outro levantamento, da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), mostra o tamanho do desafio de fiscalização. No sábado, 26, a entidade detectou pela primeira vez 1 689 domínios classificados como de apostas ilegais. Em 1 197 deles, confirmou uma página de apostas em funcionamento. Entre quinta-feira, 24, e sábado, 26, foram 4 189 domínios detectados, dos quais 1 418 tinham páginas de apostas confirmadas.
Endereços apontados pela ANJL
A associação forneceu à VEJA exemplos de sites que classifica como irregulares:
h2bet.gamesqgbet.sitejonbet.topbetao.topesportiva.winvaidebet.topbetfast.gameskingpanda.winsorteonline.sitenovibet.sitebigbet.site
Alguns endereços usam nomes semelhantes aos de operadoras que tinham autorização federal, como H2bet e Novibet, mas não apresentam a terminação .bet.br, exigida das empresas licenciadas para atuar nacionalmente. A ANJL afirma que a semelhança pode confundir quem procura essas marcas. A lista foi fornecida pela entidade; os vídeos mostram as apostas realizadas pela reportagem nos endereços testados.
“O combate ao mercado ilegal é necessário, mas não pode servir de justificativa para uma medida que transfira ao mercado regulado o custo de uma inércia estatal anterior”, afirma Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL e sócio do escritório Betlaw. Ele sustenta que o governo deveria ter intensificado a fiscalização das plataformas clandestinas enquanto as empresas autorizadas operavam sob as regras federais.
A medida provisória proíbe apostas esportivas e jogos online e determina que os sites e aplicativos das empresas até então autorizadas saiam do ar a partir de terça-feira, 6 de outubro. O governo afirma que pretende bloquear os endereços ilegais, remover aplicativos e restringir os meios de pagamento usados por essas plataformas. Até lá, como mostrou o teste de VEJA, o dinheiro continua entrando em sites clandestinos.







