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Após ‘pausa estratégica’ em juros, Fed dá nova direção ao mercado

O Banco Central dos Estados Unidos avalia riscos do aperto monetário, enquanto busca ancorar a inflação e monitorar condições de crédito e emprego

Por Luana Zanobia
Atualizado em 5 jul 2023, 21h53 - Publicado em 5 jul 2023, 16h01

O banco central norte-americano, o Fed, deu algumas sinalizações de como pretende conduzir a política monetária após a “pausa estratégica” na elevação dos juros após 10 aumentos consecutivos nos últimos 15 meses, na ata divulgada nesta quarta-feira, 5.

Em meio a quebradeira de bancos, o Fed aliviou a magnitude do aperto nos últimos meses, subindo apenas 0,25 pontos-base após aumentos de 0,75 pontos-base e de 50 pontos-base. A pausa, no entanto, trouxe maiores incertezas após o comunicado do banco de que mais duas elevações devem acontecer até o final do ano.

Na ata, o Fed sinaliza que novas elevações nos juros são prováveis, mas em um ritmo mais lento e menor. Ou seja, os dois aumentos previstos não devem acontecer consecutivamente, é esperado um tempo maior entre eles para avaliar os efeitos tardios da taxa de juros. As perspectivas do mercado contidas na ata participantes avaliam a economia resiliente aos juros e sinalizam “mais resiliência na atividade econômica do que se supunha anteriormente”, e segundo do grupo, essas direções apontam “para um caminho mais apertado para a política do que o esperado”.

O comitê continuará reduzindo suas participações em títulos do Tesouro e dívida de agências, conforme anunciado anteriormente, empenhados em ancorar a inflação para a meta de 2%, e que continuará acompanhando “as informações econômicas e ajustará a orientação da política monetária, se necessário, para alcançar suas metas”. 

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Os futuros do Fundo Federal de 30 Dias (30-Day Fed Fund), que precificam a expetativa do mercado em relação à taxa de juros, indicam uma aposta de 86,8%% de novas elevações na próxima reunião, que acontece no dia 26 de julho.  Outros dados econômicos podem dar maior suporte para a próxima decisão do Fed. Na sexta-feira serão divulgados os dados de emprego (payroll) e a inflação ao consumidor, ambos excelentes termômetros para medir o choque do aperto monetário.

Em relação à pausa, o Fed explica que os “membros concordaram que manter a meta estável permitiu ao comitê avaliar informações adicionais e suas implicações para a política monetária”. Para ancorar a inflação para 2% ao longo do tempo, os “membros concordaram que levarão em consideração o aperto cumulativo da política monetária”.

O Fed se encontra em um dilema entre ancorar a inflação para a meta e pesar a mão para o aperto não gerar uma crise de crédito junto a desemprego elevado. Embora a inflação tenha cedido, os núcleos, que excluem preços voláteis como alimentos e energia, subiu para 4,6% em maio, acima da inflação, de 3,8%, o que tem preocupado as autoridades monetárias do país. Porém, Powell enfrenta questionamentos sobre sua política monetária, que pode levar ao aumento do desemprego em uma economia em que 60% do PIB é representado pelo consumo. O documento destaca ainda que o sistema bancário dos EUA é sólido, mas condições de crédito mais restritas podem afetar a economia, o emprego e a inflação, por isso o comitê segue acompanhando os riscos inflacionários.

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