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Após novo plano de austeridade, Atenas tem noite de protestos e destruição

Dados oficiais apontam 45 edifícios total ou parcialmente destruídos; 120 feridos; 130 manifestantes presos e cerca de 150 lojas saqueadas

Por Da Redação 13 fev 2012, 07h31

Fumaças e escombros de edifícios neoclássicos e vidraças quebradas: os atenienses constataram nesta segunda-feira com consternação a extensão dos danos no centro da cidade após uma noite de violência à margem de uma gigantesca manifestação contra o plano de austeridade aprovado pelo Parlamento.

Pelo estado deplorável de muitos edifícios era possível perceber a raiva que produziu entre os gregos os cortes no orçamento exigidos pela troika, formada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), União Europeia (UE) e Banco Central Europeu (BCE). Segundo pesquisas, 79% dos gregos rejeitam as reformas.

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Segundo o balanço oficial, 45 edifícios foram total ou parcialmente destruídos por incêndios intencionais. Especialmente nas avenidas que se comunicam com as praças centrais Sintagma e Omonia, o panorama se parecia à ressaca de um bombardeio: grades metálicas retorcidas pelo fogo, vidros quebrados, telhados derrubados e estabelecimentos saqueados. Já a imprensa grega fala em 48 prédios, entre sedes bancárias, grandes lojas e galerias comerciais.

O cenário é reflexo de uma ira que não se via em Atenas há anos. Mais precisamente, há três, quando o assassinato do adolescente Alexis Grigoropulos pela polícia originou uma violenta revolta. “Infelizmente, parece que estamos revivendo o que se passou há alguns anos”, lamentou o prefeito de Atenas, Giorgos Kaminis.

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Vídeo: Gregos protestam contra plano de austeridade

Cerca de 25 mil manifestantes protestaram no centro de Atenas contra o plano do governo para reduzir gastos. A polícia teve de usar bombas de gás lacrimogêneo para conter os manifestantes.

Cinemas – Dois cinemas históricos foram reduzidos a fumaças. A perda mais sentida é provavelmente a do cinema Attikon, construído em 1881 num belo edifício neoclássico, que queimou durante horas alimentado pelos coquetéis molotov e o material inflamável das poltronas e dos velhos rolos de filmes.

Outro cinema também pegou fogo, o ASTY, que no passado foi um centro de torturas da Gestapo durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial. Um lugar simbólico numa sociedade que se sente oprimida pelas pressões da Alemanha da chanceler Angela Merkel.

Saques e prisões – Cerca de 150 estabelecimentos comerciais foram saqueados e seus proprietários esforçavam-se para limpar os destroços e os vidros quebrados, no início de uma semana que deverá produzir uma nova dor de cabeça para as seguradoras. Apesar da situação econômica crítica do país, a prefeitura de Atenas prometeu aos comerciantes ajuda para reconstruir o que foi danificado.

Dados oficiais apontam 120 feridos, cerca de metade composta por policiais. O número de prisões chegou a 130. Perguntado pela emissora ‘Vima’ se os distúrbios podiam ter sido prevenidos, Athanasios Kokkalakis, porta-voz da polícia em Atenas, assegurou que os agentes de segurança fizeram tudo o que estava a seu alcance. ‘Não podemos dizer que estamos satisfeitos pelo que aconteceu nas últimas horas, que produziu tantos desastres’, disse, numa ambígua referência aos distúrbios e à aprovação do pacote, ao qual uma importante associação policial também se opôs. “A sociedade também não está satisfeita”, finalizou.

(Com Agence France-Presse e EFE)

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