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Após intervenção, Cruzeiro do Sul não deve voltar à família Indio da Costa

Fundo Garantidor de Crédito diz que operadores antigos não voltarão à instituição e que não faltará interessados em comprá-la

Por Naiara Infante Bertão 4 jun 2012, 20h24

O Banco Cruzeiro do Sul não deve voltar a seus antigos gestores, da família Indio da Costa, de acordo com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo Antônio Carlos Bueno, diretor-executivo do FGC, o destino do banco deverá ser a venda para outra instituição. “Tenho certeza de que não faltará interessados”, completa Bueno.

Em entrevista coletiva à imprensa na tarde desta segunda-feira, o diretor-executivo do FGC explicou que, nos próximos 60 dias, se dedicará a olhar todos os números da instituição e identificar a origem dos problemas, sob a supervisão do Banco Central. “Não sabemos se é fraude ou se é dificuldade operacional. Teremos esse tempo para avaliar e depois colocá-lo à venda já com tudo apurado. Assim, os interessados em comprá-lo saberão exatamente o que aconteceu”, diz.

Celso Antunes da Costa, diretor do FGC e nomeado agora administrador do Cruzeiro do Sul, explica que o FGC foi chamado pelo BC para assumir a gestão da instituição neste fim de semana, quando o banco BTG Pactual, de André Esteves, desistiu da compra. “O BTG não sabia o que estava errado, faltava clareza no balanço e, como não poderíamos garantir a ajuda do FGC se existisse algo a mais, eles não quiseram assumir o compromisso”, diz Costa.

O BTG chegou a apresentar uma proposta aos controladores do Cruzeiro do Sul, que foi rejeitada por ser considerada muito baixa. As conversas entre os executivos dos dois bancos aconteceram no decorrer da semana passada, dentro do período de sete dias dado pelo BC para que o Cruzeiro do Sul cobrisse o rombo em seu patrimônio. “Nos últimos 15 dias, o BC pediu a documentação ao banco e já colocou o prazo para que ele arranjasse um jeito de cobrir o prejuízo”, conta Celso Costa.

Sem acordo, o BC achou mais adequado passar a gestão para o FGC, já que um órgão neutro poderia trazer mais confiança ao mercado e não deixaria clientes em pânico. Costa montou sua equipe às pressas entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira. O grupo é formado por oito pessoas, entre agentes do mercado e do próprio Fundo Garantidor.

Neste pregão, as negociações com as ações do Banco Cruzeiro do Sul foram suspensas até que o balanço seja avaliado e os problemas identificados. “Não dá para saber quanto vale a companhia”, afirma Antônio Carlos, diretor do FGC. Com isso, os papéis podem permanecer por até 180 dias sem participar do pregão. Este é período máximo que a intervenção do FGC pode se estender.

Remuneração – A diretoria afastada pelo FGC era composta por Luis Octavio Indio da Costa, Maria Luisa Garcia de Mendonça, Fabio Caramuru Correa Meyer, Sérgio Marra Pereira Capella, Roberto Vieira da Silva de Oliveira Costa e José Carlos Lima de Abreu.

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Segundo o Formulário de Referência enviado pelo banco à CVM, os seis diretores estatutários e os seis membros do Conselho de Administração (Luis Octavio fazia parte de ambos os grupos) tiveram seus ganhos de 2012 fixados num total de 49 milhões de reais – estão inclusos neste valor a remuneração fixa e a variável. Em 2011, a remuneração total havia ficado em 37,7 milhões de reais.

O valor é considerado alto se comparado a outras instituições do mesmo patamar, como o Banco Indusval, que fixou para seus executivos e conselheiros a remuneração total de 12 milhões de reais em 2012. A aprovação da remuneração anual dos executivos se deu no mesmo mês em que o prejuízo de 57 milhões de reais (referente ao primeiro trimestre deste ano) foi divulgado pelo banco.

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