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Após fim da ‘taxa das blusinhas’, encomendas internacionais disparam 42%

Taxa de 20% que era cobrada das importações de até US$ 50 foi derrubada em maio pelo governo. Desde 2010, elas cresceram quase 16.000%

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jul 2026, 14h34 | Atualizado em 1 ago 2026, 01h52
Após fim da ‘taxa das blusinhas’, encomendas internacionais disparam 42% Priorizar nos meus resultados Google

As importações de pequeno valor feitas por pessoas físicas dispararam depois que, em maio, o governo derrubou o imposto de importação que era cobrado das importações de até 50 dólares – a apelidada “taxa das blusinhas”.

Em junho, as chamadas importações por “facilitadoras de pagamentos”, categoria em que estão inclusas as encomendas feitas pelas plataformas de e-commerce, tiveram um crescimento de 42% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os brasileiros gastaram 1,03 bilhão de dólares com esse tipo de importação, ante 725 milhões de dólares em junho de 2025.

Os dados fazem parte do balanço mensal das estatísticas de comércio exterior, divulgado na segunda-feira, 28, pelo Banco Central. Junho foi o primeiro mês completo em que a suspensão da taxa passou valer. Em maio, o crescimento já havia sido de 30%, mas a suspensão vigorou por pouco mais da metade do mês.

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Taxa de 20%

A “taxa das blusinhas” foi derrubada pelo governo federal por meio de uma medida provisória publicada em 13 de maio. Até então, as importações com valor de até 50 dólares estavam sujeitas a uma tarifa de importação de 20%. A taxa foi implementada pelo programa Remessa Conforme e estava em vigor desde 2024, tendo sido criada justamente para controlar a entrada avassaladora que as importações desse tipo passaram a ter no país conforme as plataformas chinesas de e-commerce se popularizavam.

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Como o fim da taxa foi feito por medida provisória, ela tem validade temporária, de apenas 120 dias, e, após esse prazo, depende de aprovação do Congresso para que seja convertida em lei e passe a valer em definitivo. Este prazo acaba em setembro. Caso o Congresso rejeite a medida ou simplesmente deixe de votá-la, ela perde automaticamente a validade, o que significa que a taxa de 20% volta a ser cobrada como era.

A corrida contra o tempo tem levado um périplo de empresários e entidades setoriais a Brasília, conforme mostrou reportagem recente de VEJA.  De um lado estão os representantes das plataformas, que defendem o fim da taxa e advogam pelo benefício ao consumidor, que é quem, ao fim, tem acesso a produtos mais baratos. De outro, estão a indústria e o varejo nacional, que alertam para a perda de vendas e de empregos da economia doméstica para os produtos trazidos de fora.

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Crescimento de 16.000%

As importações de pequeno valor fazem parte das transações internacionais que são classificadas como compras feitas por meio de “facilitadoras de pagamento”. É um grupo em que, além dos sites como Shein, Shopee ou AliExpress, entram também outras plataformas que envolvem pagamentos internacionais por pessoas físicas, como bets e serviços de streaming.

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Elas são um tipo de importação que não é contabilizada na balança comercial do país, calculada pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com base nas trocas feitas pelas empresas, mas que é capturada e adicionada às contas externas pelo Banco Central, que é a autoridade que controla todas as operações cambiais e as transações internacionais do país.

Elas eram virtualmente nulas até uma década atrás, e capturavam pequenas trocas como os envios de bens que eram feitos por correio entre pessoas que moram no exterior e suas famílias no Brasil, por exemplo. Com o avanço do comércio eletrônico e a popularização das plataformas especializadas nisso, contudo, a história mudou completamente.

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Até 2009, este era um valor próximo de zero. Em 2010, primeiro ano em que as pequenas importações ganharam tamanho para começarem a ser captadas pelas estatísticas do Banco Central, elas somaram apenas 66 milhões de dólares. Em 2022, ano em que bateram recorde, embaladas pela explosão da economia digital após a pandemia de 2020, chegaram a 13 bilhões de dólares, o equivalente a 5% de tudo o que Brasil importou naquele ano. É um aumento de 20.000% na comparação com 2010. Quer dizer: é um mercado que se multiplicou por quase 200 desde que surgiu.

Em 2025, com as encomendas internacionais já restringidas pelas taxas do Remessa Conforme, as importações de pequeno valor somaram 9,7 bilhões de dólares, de acordo com o BC. Nos 12 meses até junho, avançaram para 10,5 bilhões de dólares o equivalente a 3,7% das importações do país no período – é um valor 16.000% maior do que o registrado em 2010.

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