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Após fala de Tombini, decisão sobre juros nesta quarta virou grande incógnita

Alta de meio ponto da Selic era consenso, mas declarações do presidente do BC sobre relatório do FMI tiraram essa certeza de economistas

Por Da Redação 20 jan 2016, 09h00

A nota divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira com comentários do presidente Alexandre Tombini sobre a piora nas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia brasileira abalou o consenso do mercado em torno da aposta de alta de 0,5 ponto da Selic nesta quarta, e não somente nas mesas de renda fixa. Entre os profissionais dos departamentos econômicos, que majoritariamente previam aumento da taxa para 14,75%, as observações de Tombini na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizam a disposição da autoridade monetária para um aperto menor, de 0,25 ponto, ou, para alguns, até de manutenção da taxa em 14,25%.

Para Tombini, as mudanças nas projeções do FMI para o PIB do Brasil foram “significativas”. Ele também afirmou na nota que “todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom são consideradas nas decisões do colegiado”. De acordo com relatório publicado pelo FMI, a projeção de queda do PIB brasileiro em 2016 passou de 1% para 3,5%. Para 2017, saiu de uma alta de 2,3% para zero.

Entre os que alteraram oficialmente a sua estimativa está o Brasil Plural, que agora espera aumento de 0,25 ponto. A previsão anterior era de 0,5 ponto. “O BC sinalizou, poucas horas antes do começo do encontro de política monetária, que provavelmente irá seguir um curso mais dovish (suave) do que o previsto”, justifica o banco, em nota distribuída a clientes.

A mudança de previsão também foi feita pela Rio Gestão. Para Bernardo Gonin, economista da instituição, é muito difícil que o Copom promova uma alta de 0,50 ponto porcentual. “É bem pequena a chance. Se o BC quisesse dar uma alta de meio (ponto), não tem justificativa nenhuma para ter feito isso hoje (terça-feira). Seria muito esquisito”, disse.

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Mas mesmo aqueles que não chegaram a alterar oficialmente sua estimativa de 0,5 ponto admitem que essa possibilidade se enfraqueceu. “Essa nova comunicação do Banco Central, no primeiro dia da reunião do Copom, mencionando o relatório do FMI, lança dúvida sobre subir juro”, diz o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, que, até o momento, mantém sua previsão de alta da Selic para 14,75%.

“Acho que ficou igualmente provável uma alta de 0,25 ponto porcentual apenas”, endossou o economista William Michon Jr, da Saga Capital, que também não chegou a mudar sua projeção oficial de alta de 0,50 ponto.

A GO Associados, que também mantém a previsão de alta de 0,50 ponto, avalia que as chances de uma elevação mais branda, ou até mesmo de estabilidade, cresceram após a nota. Segundo economista e sócio da instituição, Gesner Oliveira, o conteúdo da comunicação demonstra uma “eventual reflexão” sobre o risco de aprofundamento da recessão e sinaliza que a autoridade monetária pode estar, de fato, preocupada com a atividade econômica. “Acho que ele (Tombini) sinalizou uma sensibilidade para algo que vinha sendo alertado pelo mercado: A alta de juros nos Estados Unidos, a desaceleração na China, o colapso do preço do petróleo”, disse.

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(Com Estadão Conteúdo)

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